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Na cidade

Fui ao passadiço do Penedo Furado e acabei numa piscina natural incrível

A infraestrutura foi inaugurada este ano e começa numa praia fluvial. Uma repórter da NiT foi conhecer o percurso.
Fica em Vila de Rei.

É sábado, 20 de julho, e o imaginário de uma passadiço deserto dissipa-se. São 10h30 e desço de carro a estrada que leva à praia fluvial do Penedo Furado, em Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco.

A paisagem remete-me para a minha infância na barragem de Santa Clara, no Alentejo. Foi lá que aprendi a nadar e que criei a minha ligação com a natureza e a água doce. Ainda hoje, quando alguém me diz que não toma banho em barragens porque não vê o fundo tenho vontade de rir.

A paisagem do Penedo Furado é deslumbrante. Em frente, o verde contrasta com o cinza das rochas. Lá em baixo, já se avista a água. Do lado direito, lê-se “Miradouro do Penedo Furado”. Paramos. Algumas pessoas estão no local onde é possível observar a Albufeira da Barragem do Castelo de Bode e toda a vegetação envolvente.

No miradouro vemos uma imagem de Nossa Senhora dos Caminhos. Ao lado há umas longas escadas que dão acesso à zona mais baixa do penedo, e à praia fluvial. Nessas escadas é possível ver a Bicha Pintada, um fóssil que se estima ter mais de 480 milhões de anos.

Vista do miradouro.

Voltando ao carro, e continuando pela Rua Manuel Lucas Martins, chegamos à Praia Fluvial do Penedo Furado. O estacionamento é um pouco confuso e desordenado. As infraestruturas ficam lá em baixo.

Há um bar com esplanada, um parque de merendas com churrasco, um parque infantil, e WC. A praia é como uma piscina gigante. De cada lado da margem há espaço para estender a toalha ou sentar-se, apesar de não haver muita areia. Devido à vegetação, a sombra é abundante, o que torna o local ideal para os miúdos.

Passamos a ponte para a outra margem e damos início à caminhada. O Passadiço do Penedo Furado foi inaugurado a 19 de março e tem apenas 532 metros, mas é incrível. Pelo percurso é possível ver as texturas das rochas pinceladas de musgo verde e amarelo, ouvir a água a correr, e sentir o cheiro das flores visitadas por libélulas.

O passadiço de madeira tem alguns bancos e caixotes do lixo. Ultimamente é comum ver os locais onde faço caminhadas poluídos. E aqui foi algo que me saltou logo à vista: não havia lixo nenhum. A beleza quase virgem está intacta, apesar dos vários visitantes que por ali passam.

Em algumas zonas, mais estreitas, a passagem torna-se difícil quando há caminhantes em sentidos opostos. Aliás, o que poderia ser o ex libris desta rota, a cascata, torna-se, para mim, o menos interessante devido à afluência.

O Passadiço do Penedo Furado termina numa cascata. Da pequena ponte que leva à queda de água a vista cénica é deslumbrante. Se tirarmos todas as famílias, crianças a gritar na água e adolescentes a saltar, claro.

Mas foi no regresso (o percurso não é circular) que descobri a pérola escondida deste caminho. É que enquanto todas as pessoas atraídas por um sábado de julho soalheiro estão no caminho ou na cascata, as piscinas naturais estão vazias.

Ficam a meio do percurso, um pouco mais perto da praia do que da cascata, e parecem saídas de um sonho. É estranho estarem vazias, já que o passadiço bifurca e tem umas escadas para lá chegar. Talvez tenha tido sorte.

A água é cristalina e repleta de pequenos peixes. O solo é arenoso e com várias pedras. Entra-se quase numa realidade paralela onde é possível entrar em completa fusão com a natureza. A água é bastante fresca mas sabe tão bem.

Ali fiquei até voltar à infância. Até tentar acalmar um pouco a saudade de estar sozinha na natureza, de sentir a água fresca e doce na pele, do sol aquecer a superfície, dos peixes tocarem-me nas pernas e do cheiro a campo e a felicidade.

Piscina natural.