NiTfm live

na cidade

ONU avisa: há um milhão de espécies em risco de extinção e isso ameaça a humanidade

Cientistas acreditam que a Terra está no início da “sexta extinção em massa”, a primeira atribuída aos seres humanos.
Natureza em risco.

O cenário não é bonito e os especialistas lembram que tem mesmo de ser encarado de frente para tentar evitar o pior. Um novo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre biodiversidade diz que que até um milhão de espécies de animais e vegetais podem ser ameaçadas de extinção, muitas das quais nas próximas décadas, devido à busca “incansável” do homem pelo lucro e crescimento económico. E que por causa desta “sexta extinção em massa” no planeta, a primeira causada pela humanidade, a própria humanidade poderá estar em risco.

Nos últimos dias, especialistas de todo o mundo estiveram reunidos em Paris (França), na Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos. O encontro terminou no passado sábado, 4 de maio, e nele analisaram-se, pela primeira vez em quase 15 anos, os últimos dados disponíveis sobre ecossistemas. No fundo, fez-se com base em estudos uma avaliação global sobre o impacto devastador da civilização sobre a natureza.

No final, foi elaborado um relatório, o mais extenso de sempre sobre a perda de biodiversidade — e este foi apresentado pela ONU na capital francesa na madrugada desta segunda-feira, 6 de maio. As informações que constam nele demoraram três anos a ser redigidas e incluem a opinião de centenas de especialistas de mais 50 países, com base em mais de 15 mil pesquisas recentes. E, segundo os novos dados, o estado da biodiversidade é tão preocupante quanto o das alterações climáticas.

Há cerca de uma semana, um outro estudo científico pedia mudanças radicais no estilo de vida das pessoas, a fim de limitar os danos causados ​​pelo aquecimento global. Agora é pedido o mesmo, para tentar limitar a perda de biodiversidade, igualmente ameaçadora do futuro do planeta.

“Se quisermos deixar um mundo para os nossos filhos e netos que não tenha sido destruído pela atividade humana, precisamos agir agora”, disse Robert Watson, que presidiu o estudo, citado por vários meios internacionais.

Segundo o “G1” da “Globo”, desde 1900 a média de espécies nativas na maioria dos principais habitats terrestres caiu pelo menos 20 por cento. Hoje em dia, a taxa de extinção de espécies é dezenas a centenas de vezes superior à média dos últimos dez milhões de anos.

Cerca de 680 espécies de vertebrados foram levadas à extinção em 500 anos, por influência do homem. Isto ainda piora: mais de 40 por cento das espécies de anfíbios, quase 33 por cento dos corais, 10 por cento dos insetos e mais de um terço de todos os mamíferos marinhos estão ameaçados. Um milhão de espécies pode estar em risco de extinção, algumas das quais nas próximas décadas.

O relatório aponta a poluição, destruição de habitats, agricultura industrial, pesca excessiva e emissões de dióxido de carbono como principais ameaças. A poluição plástica aumentou dez vezes desde 1980, os pesticidas duplicaram em anos. 300 a 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes e lamas tóxicas são despejados anualmente nas águas.

O documento diz que a natureza está “à beira da morte” e o planeta devastado pelo consumo excessivo e poluição. A atividade humana destruiu a natureza, espécies, florestas, zonas húmidas e outras paisagens selvagens, prejudicando a capacidade da Terra de renovar o ar respirável, o solo produtivo e a água potável. O relatório identificou uma série de riscos, desde o desaparecimento de insetos vitais para a polinização de culturas alimentares até à destruição de recifes de corais que suportam populações de peixes e a perda de plantas medicinais.

“Esta perda é um resultado direto da atividade humana e constitui uma ameaça ao bem-estar humano em todas as regiões do mundo ”, disse o professor Settele, um dos participantes o estudo, citado pela revista.

Água para consumo, florestas que absorvem CO2, também poderão estar em risco. No fundo, o documento mostra um quadro devastador da perda de biodiversidade naquele que os cientistas já descrevem como “o sexto massacre do mundo”.

Ainda assim, pretende ser proativo, não destrutivo, querendo funcionar como uma chamada de atenção urgente para governos na interação entre países, para mais apostas na sustentabilidade na agricultura, planeamento de áreas de plantação, redução do desperdício de alimentos, entre muitas outras medidas urgentes.

Segundo o “The Independent“, agora os especialistas terão de criar as bases para um plano nos próximos 30 anos para começar a reverter alguns dos danos aos animais, oceanos, flora e fauna causados ​​pela interferência humana.

Ao jornal, Unai Pascual, professora de ciência da sustentabilidade e economia ecológica do Centro Basco para as Mudanças Climáticas, disse: “Nós temos uma emergência socioecológica. Esperamos que os formuladores de políticas em todo o mundo entendam esta visão, baseada em ciência.”