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Na cidade

Já há mais motoristas de Uber do que taxistas em Lisboa e no Porto

Profissionais queixam-se do excesso de oferta e exigem mais regulação.
Os dados foram divulgados pelo IMT.

Nos distritos de Lisboa e do Porto, já há mais motoristas de Transportes de Passageiros em Viaturas Ligeiras Descaracterizados (TVDE) do que motoristas de táxi. Além de estes dados deixarem os taxistas preocupados, os trabalhadores de plataformas como a Uber sentem o mesmo.

“Não é bom para ninguém, sobretudo para os motoristas, pois haverá mais carros que clientes”, diz à “TSF” António Fernandes, dirigente do Sindicato dos Motoristas TVDE.

O representante revela que, porém, é normal que as plataformas continuem a dizer que não querem qualquer limite ao número de carros, já que “quanto mais motoristas existirem menos tempo espera o cliente”.

Segundo os dados do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT), aos quais a “TSF” teve acesso, mais de metade dos motoristas de TVDE concentram-se no distrito de Lisboa. Para sermos precisos, são 12.436, mais 32 por cento que os 9427 motoristas com certificados para conduzir táxi. O cenário é semelhante no distrito do Porto, com 3927 motoristas de Transportes de Passageiros em Viaturas Ligeiras Descaracterizados e 3222 taxistas.

Além da Uber, há outras sete operadores de plataformas a circular nestas zonas do País. São elas a Bolt, Cabify, Kapten, Its my ride, Vemja, Biguride e Bora.

Enquanto os motoristas de TVDE se queixam de poucos clientes para muitos carros, para os taxistas as consequências sentem-se nos rendimentos ao fim do mês.

“Nós, os táxis, estamos onde eles não querem estar, pois concentram-se onde há mais procura, em Lisboa e Porto”, refere à mesma estação de rádio Carlos Ramos, presidente da Federação Portuguesa do Táxi.

E continua: “Aquilo que tem equilibrado é o muito turismo, mas já está a sentir-se desde novembro com quebras no setor na ordem dos 40%. Estamos a trabalhar como a formiga, aquilo que foi poupado nos meses de verão para aguentar durante este tempo. Isto está mesmo, mesmo mau.”