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Na cidade

Melhor Bairro do Mundo #12: Podia ser Arroios, mas não é

A editora executiva da NiT mudou-se para Arroios em Abril, depois de lá ter vivido há 4 anos, e encontrou tudo pior e com mais turistas.

Um dia Arroios será bom. Um dia.

Em tempos morei na rua de Arroios, conhecida como a rua das oficinas, uma espécie de selva de carros sem lei de onde fugi sob pena de morrer intoxicada pelos fumos dos escapes. Isso e por ter uma oficina debaixo de casa que estava aberta todos os dias, a todas as horas, apesar das minhas súplicas. O trânsito na rua de Arroios, que tem apenas uns 500 metros de comprimento, está quase sempre parado por causa dos carros em segunda fila à espera que as oficinas tenham lugar para eles. Fixe.

Como Lisboa se tornou uma cidade onde pode ser muito complicado viver — se for português, claro— quando a minha renda quase duplicou, não tive remédio senão mudar-me para uma zona que ainda não foi atingida pelo flagelo das rendas (pelo menos, não tanto como outras). No entanto, tem outros problemas.

Passear na Almirante Reis, ou sair de manhã para beber um café, é tão traumatizante e sujo como entrar numa casa de banho pública numa estação de serviço no meio do nada, nos EUA, onde coisas más acontecem segundo as séries de polícias. Se levar a minha filha pela mão corro o risco de ter de lhe explicar o que é que aqueles senhores com colheres numa mão e isqueiros na outra (os anos 90 estão mesmo na moda, até na decadência) estão a fazer à luz do dia junto à Igreja dos Anjos — ela tem 5 anos, é chato.

Também já aconteceu termos de saltar, literalmente, por cima de dejetos humanos num largo perto da rua do Zaire, um presente que alguém fez junto ao nosso carro. É que o bairro de Arroios é também uma casa de banho pública a céu aberto, além do local preferido dos carteiristas, logo a seguir ao elétrico 28. Uma amiga foi roubada enquanto conversava comigo na rua, depois do jantar, sem darmos por nada — artistas de mãos leves, estes.

Ora eu, pessoa que estava a ficar habituada a patrulhas de polícias frequentes, não percebo como é que não há um único agente a bater perna avenida abaixo, avenida acima, ruas laterais e largos sujos. O polícia que está sempre à porta do Banco de Portugal não conta, ok? 

Então mas Arroios não tem nada de bom? Claro que tem. É só carregar na fotografia e descobrir.