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Já visitámos a Capital do Natal — e não é tão mau quanto se diz

O maior parque de Natal da Europa foi inaugurado no dia 29 de novembro em Algés, mas tem sido muito criticado nas redes sociais.
Um dos comboios e pistas de snowtubbing.

O maior parque de Natal da Europa, segundo a organização da Capital do Natal, já chegou a Portugal. O espaço de diversões tomou conta do Passeio Marítimo de Algés na passada sexta-feira, 29 de novembro, e vai ficar por lá até 12 de janeiro. O objetivo? Trazer a Lapónia para Oeiras, fazer nevar no inverno onde as bandas do NOS Alive atuam no verão, tentar replicar a magia da quadra de forma mais intensa e gelada, como nos países nórdicos — numa Grande Lisboa quase tropical. O resultado? Não é a Lapónia; mas os miúdos vão gostar. Sobretudo se seguir alguns conselhos importantes, que a NiT lhe deixa a seguir. 

Milhares de portugueses e de estrangeiros (viam-se tantos espanhóis como cidadãos nacionais) acorreram aos primeiros dias para ver, com os seus próprios olhos, o evento de Natal que prometia trazer-nos não apenas mais um parque, mas uma experiência imersiva, única e completamente diferente das que têm sido oferecidas no nosso País.

Esta Capital do Natal pretendia ser uma espécie de entrada numa história e um viver uma experiência, onde a mística e os valores da quadra são o centro. O evento, sobre o qual a NiT lhe contou tudo ainda antes da abertura, prometia uma tenda gigante onde nevaria de verdade como o ponto fulcral, chamada Palácio dos Guardiões da Neve. Além de dizer ter a maior pista de gelo do País, comboios, uma espécie de Cirque du Soleil em modo elfos pelo recinto, zona de comida e muito mais.

Com tanta informação, notícia e promessas, as expetativas estavam ao rubro, mas o primeiro fim de semana teve problemas e a chuva não ajudou. Se é certo que no inverno é natural que chova, também é verdade que nos primeiros dias ela esteve insistente e causou estragos. Não quer isto dizer que com chuva não consiga usufruir do evento, mas se compra bilhete para um dia que se avizinhe pior (os bilhetes são com dias marcados), vá mesmo preparado com guardas-chuvas e capas. É que a maioria das diversões são cobertas, mas vai ter de andar durante muito tempo ao ar livre. Primeiro reparo: faltam pontos de abrigo no recinto.

A Árvore de Natal (foto: Nuno Andrade)

Importa aqui abrir um parêntesis para dizer duas coisas: este artigo é-vos escrito por uma enorme fã do Natal e de tudo o que são parques e eventos da época, da Winter Wonderland, de Londres, ao Rockefeller de Nova Iorque, da Wonderland Lisboa ao Natal da Guarda — se é da quadra, lá estarei. A outra questão importante é que não me passaram despercebidas (seria difícil) as criticas que invadiram as redes sociais do evento ao longo dos últimos dias — basicamente, desde que ele abriu.

Na página do Facebook do parque, muitos visitantes, na grande maioria espanhóis que em alguns casos se haviam organizado em excursões para ver o maior espaço de Natal do ano, começaram a expressar o seu desagrado e a situação tem vindo a escalar nas últimas horas. Segundo noticia o “Público” esta segunda-feira, 2 de dezembro, a Unión de Consumidores de Extremadura em Espanha já recebeu mais de 100 chamadas a reclamar do evento e a pedir o reembolso. 

Há ainda grupos de Facebook que apelam ao envio de uma carta para cancelar a atividade com as renas e um grupo no Whatsapp de presumíveis lesados, chamado A Capital do Natal Estafa (espanhol para fraude) e até já foi criada uma petição. As críticas multiplicam-se e incidem sobretudo sobre o espaço e as expetativas defraudadas, em várias vertentes.

A Roda Gigante (foto: Nuno Andrade)

As principais queixas: de que não há lugar para estacionar; de que o espaço é desabrigado, sem ter como proteger os miúdos quando chove; de que o chão, que oscila entre um tapete de relva falsa e resinas pretas semelhantes às dos parques infantis é inadequado e estava encharcado e enlameado; de que o Palácio dos Guardiões o Gelo, o tal onde neva de verdade, é uma decepção, assim como a maioria dos espaços, que se visitam rapidamente; de que há renas verdadeiras no local, algo que de facto era desnecessário; de que o ambiente é extremamente frio e desabrigado junto ao rio; de que está tudo muito desorganizado; de que há filas para a maioria das diversões, que são grátis e incluídas no bilhete; o facto de os bilhetes, entre os 24€ e os 88€ (para famílias) serem caros para o que se oferece… Enfim, no fundo, é uma lista infinita de reclamações.

A minha experiência foi em parte diferente do que é descrito. Os miúdos adoraram e quem por lá encontrei parecia estar a divertir-se e até a sentir o espírito de Natal, se é que isso é de todo possível numa área aberta com 72 mil metros quadrados.

Um comboio e o snowtubbing (foto: Nuno Andrade).

Não é que não tenha reparado no que é criticado mas fiquei surpreendida talvez sobretudo com o tom das críticas. Até porque já estava à espera de algumas destas situações, como a falta de estacionamento; ter de deixar o carro longe, problema igual no NOS Alive; o espaço ser frio e desabrigado, idem; e o piso em tapete a imitar relva — o que, em boa verdade, ainda que não eficaz até impediu que nascessem rios de lama épicos e piores do que Glastonbury.

Não apanhei filas capazes de nos levar ao desespero. Esperei no máximo 25 minutos para a diversão mais badalada, o Palácio dos Guardiões do Gelo; eram cerca de 13h30, hora de almoço. Quando chegou a tarde, já tínhamos tudo visto e estávamos em modo de aproveitar. Foi nessa altura que começaram as grandes filas, sobretudo para a Pista de Gelo onde são sempre maiores, o que deve ser exasperante. Por isso, aqui fica um conselho: vá cedo. 

A pista de gelo (foto: Nuno Andrade).

Em relação às diversões em si, não tenho razões de queixa. Os miúdos adoraram os escorregas de bóias, ou snowtubbing, que tem 12 pistas divididas por idades; e os comboios de Natal — há dois, um pelo recinto e outro em carris.

Acharam o Bosque dos Elfos pequeno, mas foram compensados por uma Elfa super simpática que lhes garantiu estarem na lista certa do Pai Natal, com voz de duende e tudo; sentiram-se confortáveis na gigante tenda da comida; e, embora a maioria da oferta seja do género hambúrgueres e pizzas, há opções vegetarianas e estilo noodles, com itens como arroz e carne para eles. Até gostaram de uma espécie de loja do Lidl, com uma área para brincar com os famosos brinquedos de madeira, uma boa opção para pais e filhos descansarem um pouco. 

Ainda assim, o que os entusiasmou mais foi o Palácio dos Guardiões da Neve. Até eu fui surpreendida pela positiva — é maior do que eu pensava, as esculturas de gelo são incríveis e tem uma área para atirar neve e escorregas de gelo verdadeiro. Já o passaporte, documento que carimbam em cada visita, também foi um favorito da experiência.

O Palácio dos Guardiões do Gelo (foto: Nuno Andrade)

Em resumo, a Capital do Natal precisa de ajustes e melhorias? Sim, precisa. Algumas talvez até cheguem este ano, mas se a ideia é repetir o evento, impõe-se mesmo repensar o problema do chão, instalar mais abrigos e mais diversões. Também seria importante criar uma maior união entre os espaços, contratar mais elfos, ter mais animação e investir no tal ambiente imersivo que se prometia. E já agora colocar música diferente: um disco com clássicos de Natal seria melhor do que colunas sempre com a mesma melodia de um minuto em loop — capaz de nos levar à loucura. 

Os principais conselhos da NiT que deve seguir durante a visita à A Capital do Natal

Vá cedo ou utilize as horas das refeições para visitar as atrações maiores;

Tente ir a um dia da semana;

Leve agasalhos, gorros e luvas: o recinto é desabrigado e no Palácio dos Guardiões da Neve há temperaturas negativas;

Leve calçado confortável e resistente à água;

Leve capas impermeáveis:

Não se preocupe com fraldários e zonas para aquecer comida de bebé: há várias;

O parque está aberto até 12 de janeiro, de segunda a quinta-feira, do meio dia às 23 horas; à sexta-feira e sábado, das 10 às 24 horas; e aos domingos, das 10 às 23 horas. Os preços das entradas vão dos 24€ aos 88€, consoante o dia e a tipologia (o bilhete de família custa 88€ e dá quatro pessoas). Podem ser comprados no site oficial do evento ou à porta.

O Snowtubbing (foto: Nuno Andrade).