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Na cidade

O português que faz desenhos na areia do Algarve (e que homenageou Kobe Bryant)

A NiT falou com Vítor Raposo, mais conhecido como Vitinha, e mostra-lhe alguns dos seus desenhos mais incríveis.
A última arte do alentejano.

Enquanto o mundo ainda recupera da notícia inesperada da morte do basquetebolista Kobe Bryant no passado domingo, 26 de janeiro, há uma homenagem de um português que se está a tornar viral. Vítor Raposo, que se dedica há pouco mais de um ano a fazer incríveis desenhos nas praias do Algarve, celebrou o desportista norte-americano com uma mandala e junto a ela uma silhueta de Kobe e um cesto de basquete, ao que acrescentou a sua data de nascimento e de morte.

O desenho, feito a 29 de janeiro na areia da Praia Maria Luísa, em Albufeira, foi publicado nas redes sociais e está a ser partilhado e comentado por pessoas de todo o mundo, com elogios rasgados à homenagem. Tudo aconteceu numa altura em que a NiT tinha acabado de descobrir o trabalho de Vitinha, como é a sua alcunha — e de falar com ele sobre a sua vida e a sua arte.

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Vitinha é Vítor Miguel Rosario Raposo, de 56 anos, originário da Mina de São Domingos, Alentejo e residente no Barreiro. À  NiT, Vítor explicou que a primeira vez que viu uma arte de areia foi no Instagram, há cerca de ano e meio — um encontro por acaso, que o deixou imediatamente com curiosidade de experimentar.

Fê-lo na Praia Maria Luísa em Albufeira, até hoje o seu palco favorito. Recorda que, quando subiu para a arriba para ver o trabalho, este teve um impacto incrível em si. “Fiquei maravilhado. E nunca mais parei”, explica em conversa com a NiT.

Vítor está desempregado e foi neste estatuto que descobriu a sua verdadeira vocação. Faz as suas criações e a sua arte sobretudo na Praia Maria Luísa e noutras praias do Algarve. E fá-lo todos os dias que lá está, seja a que horas for: consoante a maré baixa.

Em pouco mais de um ano, já fez perto de 200 desenhos. “Há dias em que até consigo fazer um de manhã e um outro de tarde”, frisa.

A inspiração surge sempre que está na Praia. Não sabe de onde vem, não traz técnica associada, é um impulso. “Por incrível que possa parecer, não sei nada de desenho, nunca soube desenhar. Mas na areia da praia consigo fazer de tudo um pouco”.

A maioria dos desenhos faz sozinho mas no começo ainda partilhou os desenhos com o seu irmão José Miguel. Sempre constante é a companhia da cadela, Pipoca.

É um trabalho de amor. “o desafio principal é tentar fazer cada vez melhor e maior, nas poucas horas que tenho disponíveis, por causa de cada maré”.

Vítor diz que a sua praia predilecta e com a melhor areia para o desenho é mesmo a Maria Luísa, mas já deixou a sua arte fugaz noutras praias no Algarve. E não quer ficar por aqui. “Quero fazer desenhos em todo o Algarve, em toda a nossa costa e também na Europa”.

Cada desenho que faz dura apenas horas ou minutos, o tempo da maré subir. Mas fica na memória de quem passa e é para sempre imortalizado em fotos — e depois nas redes sociais.

No Facebobook ou Instagram de Vítor, pode espreitar os monumentos, flores, árvores, estrelas, sóis, animais, abstratos, mandalas, de tudo um pouco que tem feito.

Publicado por Vitor Raposo em Domingo, 10 de junho de 2018

Sobre o feedback das pessoas, diz que tem sido “maravilhoso”. “Nunca imaginei que aquilo que faço numa praia chegasse a todos os cantos do mundo”.

O futuro é para já uma incógnita, mas Vítor sabe que vai continuar a sua arte. “O que me motiva é a enorme paixão que tenho pelo mar, pela praia e numa maneira geral pela Natureza”. Por isso, há normalmente uma mensagem. “Muitos dos desenhos que faço chamam a atenção para algo”. Como o aquecimento global, o plásticos nos oceanos, ou o desaparecimento precoce de um atleta famoso.