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Novos passes lançaram o caos nos transportes públicos, queixam-se os utentes

Há quem poupe bastante dinheiro com o novo tarifário, mas também quem tenha alterado a sua rotina diária, só para conseguir chegar ao trabalho.
Subiram as queixas.

A situação tem-se repetido um pouco por toda a Área Metropolitana de Lisboa: seja para apanhar comboio, autocarro, metro ou barco, desde que os novos passes únicos e de valor reduzido entraram em vigor, aumentaram os tempos de espera dos utentes, pioraram as condições e cresceram também as queixas. Quem o diz são os próprios utilizadores: há quem poupe bastante dinheiro com o novo tarifário, mas também quem tenha alterado a sua rotina diária, só para conseguir um lugar no seu transporte de sempre.

Segundo a “TVI24” numa nova reportagem divulgada na noite de domingo, 13 de outubro, os utentes dos transportes de Lisboa vivem atualmente uma situação “angustiante”. Seis meses depois da entrada em vigor do novo passe, muitos passageiros têm de chegar cerca de meia hora mais cedo só para conseguir apanhar autocarros — e há quem se queixe que, mesmo com o passe comprado, tem de utilizar também o carro.

O canal adianta que os problemas afetam todos os transportes da AML, como o metro ou os barcos. E que mesmo com o governo a reduzir, em muitos casos, o número de bancos nas carruagens e embarcações, as situações e reclamações continuam.

“Não é possível transportar o dobro dos passageiros com o mesmo número de autocarros”, refere ainda um utente. À estação de televisão, os responsáveis da Área Metropolitana de Lisboa voltam a garantir, no entanto, ter tudo sobre controlo.

A situação não é feita só de relatos e queixas na rua: já aumentaram mesmo as queixas formais. Segundo um estudo divulgado no início deste mês de outubro pelo “Dinheiro Vivo“, estas aumentaram 17,8 por cento em apenas um ano.

As reclamações no Portal da Queixa dispararam e atrasos, falta de condições e supressão de transportes são os motivos mais invocados. A CP, TST e Carris eram as empresas mais reclamadas até ao final do mês de setembro.

Recentemente, uma repórter da NiT escreveu, na primeira pessoa, sobre a sua própria experiência nos transportes, incluindo Fertagus, desde que o novo passe foi criado, que relata os mesmos problemas: “Poupo 100€ com o novo passe da Fertagus, mas nunca sofri tanto todos os dias”.

A revolução nos preços

Os novos passes únicos foram lançados a 1 de abril deste ano, com a promessa de revolucionar os transportes e tiveram um sucesso imediato: a meio de setembro, soube-se que a procura por passes duplicou na área metropolitana de Lisboa duplicou, desde que os novos preços entraram em vigor.

Desde abril o número de utilizadores não tem parado de subir e, em maio, junho e julho, o número de utentes que pediram o Lisboa Viva duplicou face ao mesmo período de 2018. Com as férias, agosto registou uma ligeira queda mas ainda assim a procura foi 98 por cento superior à do período homólogo.

Neste momento, e desde a entrada em vigor dos novos preçários, 30€ (Navegante Municipal, para um concelho dos 18 abrangidos) ou 40€ (Navegante Metropolitano, para todos os concelhos da área metropolitana) é o máximo que paga para se deslocar na região de Lisboa. Seja qual for o número e o tipo de transportes que utiliza.

A revolução no tarifário permite refletir-se em poupanças, não só reais para milhares de passageiros, como em alguns casos extremamente significativas. Para quem reside em Lisboa, por exemplo, os passes para a Carris e o Metro custavam 36,70€ por mês. Com o novo passe Navegante Municipal, passaram a ser 30€ por mês. A conta anual é assim reduzida dos 440€ para os 360€ por ano, numa poupança líquida de 80€ anuais.

Um passe da Fertagus entre Setúbal e Lisboa, incluindo Metro e Carris, custava 161,15€ por mês, ou 1933,80€ por ano. Com o novo passe, o valor a pagar cai para os 40€ mensais, o que quer dizer que paga, num ano, 480€ pelos transportes. As poupanças atingem os 1453€ nesse ano.

Para quem se desloca do Barreiro para Lisboa, os passes anteriores custavam 62€ e descem para 40€. Aqui, as poupanças anuais atingem os 264€.

Existe, ainda, o Navegante Metropolitano +65, destinado a maiores de 65 anos, reformados e pensionistas, que poderão usar todos os transportes públicos na AML por 20€ por mês.

Os miúdos até aos 12 anos não pagam mas precisam de um cartão, o Navegante 12. Este é válido também para toda a área metropolitana (até agora, as crianças só viajavam gratuitamente dentro do concelho de Lisboa). Os carregamentos dos novos títulos continuaram a ser feitos nos balcões e máquinas dos operadores, assim como em caixas multibanco.