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Governo aceita mais estufas na Costa Vicentina — ambientalistas ficam “perplexos”

É favorecida “uma agricultura que se baseia na utilização massiva de fertilizantes e pesticidas num parque natural", lembram.
Costa Vicentina integra parque natural protegido.

O sudoeste alentejano tem mudado visivelmente nos últimos anos, algo notório para quem lá vive e até para quem lá passa férias. Com as estufas agrícolas a proliferarem na zona do rio Mira e da Costa Vicentina, a associação ambientalista Zero recebeu “com perplexidade” uma decisão do governo, que vai permitir mais estufas no parque natural.

Segundo a Lusa, citada pela SIC, os ambientalistas contestam a resolução do Conselho de Ministros do passado dia 24 de outubro, que estabelece um regime especial e transitório aplicável ao Aproveitamento Hidroagrícola do Mira.

Nesta resolução, “ao invés de estabelecer um novo modelo de desenvolvimento agrícola para o perímetro de rega e limitar a área afeta à produção agrícola com coberturas” no interior do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, como os ambientalistas esperavam; o Governo “aumenta-a agora para um máximo de 40 por cento da sua área total, quando a mesma no Plano de Ordenamento da área protegida não pode ultrapassar os 30 por cento”. 

O aumento vai permitir que a área ocupada por estufas e coberturas de plástico possa chegar aos 4800 hectares de terreno.

A associação diz estimar que, na realidade, 60 por cento da área do que já esteja ocupada com culturas intensivas e apela à urgência do controlo e da intervenção. 

Segundo a Zero, está a ser favorecida “uma agricultura que se baseia na utilização massiva de fertilizantes, pesticidas e que potencia longas cadeias de distribuição até chegar ao consumidor final, e muito pouco tem de compatível com os objetivos de um Parque Natural”.

Além dos impactos no ambiente, no ecossistema da região, em grande parte costeira, os ecologistas pedem ainda atenção ao impacto do aumento da mão-de-obra em termos demográficos e de serviços.