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Galerias Romanas vão ser museu, ter uma nova entrada e abrir mais vezes ao público

É esse o objetivo da Câmara Municipal de Lisboa, que quer criar um acesso noutro local.
As galerias.

Duas vezes por ano, abre-se um alçapão na Rua da Prata, na esquina da Rua da Conceição com a Rua dos Correeiros, que é uma entrada para o submundo de Lisboa, a sua história mais antiga e mais bem preservada. As visitas às Galerias Romanas da capital são sempre os bilhetes mais procurados na cidade, esgotando em minutos e deixando milhares de interessados de fora.

Desde 2017 que a Câmara de Lisboa admite que, dado o interesse revelado pela população, pondera criar condições para abrir o local ao público durante todo o ano, retirando constantemente a água para poder fazê-lo — mas esta opção tem sido adiada.

Agora, parece ter sido dado um passo em frente nestas intenções. Em abril, foi apresentado o projeto Lisboa Romana. Trata-se de uma gigante empreitada que pretende criar plataformas que vão reunir fotografias, vídeos, textos e reconstruções dos vestígios romanos na capital: no fundo, autênticos roteiros pelo património na cidade e concelhos ao seu lado, com objetivos para cumprir até 2024. 

Ao todo, 350 sítios arqueológicos estão já mapeados. Os vestígios visitáveis vão do Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros à loja de vinhos Casa Napoleão, onde se podem ver os achados arqueológicos de uma fábrica de conservas do século V; do Campo das Cebolas ao Teatro Romano que, apesar de aberto desde 2015, continua em obras pelo menos até 2021.

E neste mega projeto, as Galerias Romanas vão ter, como não podia deixar de ser, um papel essencial. Ao “Diário de Notícias“, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, explicou que o ritual de descer o alçapão para ver as galerias, apenas possível duas vezes por ano, pode acabar.

Isto porque, de um recente licenciamento de obras num prédio da baixa pombalina, nasceu a ideia de fazer uma nova entrada: na Rua da Conceição.

A autarquia quer musealizar as galerias, criar um acesso viável a todos e um centro interpretativo. No entanto, para que elas possam estar abertas todo o ano ou mais vezes por ano, ainda se coloca um outro problema: o mesmo já levantado em 2017, quando a NiT falou com a Câmara. É que, cada vez que as galerias abrem ao público, a sua água tem de ser bombeada.

Quando está fechado, o monumento romano tem um nível de água superior a um metro de altura, proveniente de lençóis freáticos que correm por baixo de Lisboa, havendo por isso necessidade de uma operação de retirada da água para possibilitar a visita ao interior — e ainda uma limpeza.

Segundo o “DN”, agora, tal como em 2017, falta ainda ter a certeza de que a retirada de água constante, ou mais de duas vezes por ano, seria segura.

A história das galerias

As galerias romanas de Lisboa, datáveis do início do século I d.C., abrem então atualmente ao público duas vezes por ano, por razões de preservação do monumento. Em 2019, as primeiras visitas já aconteceram: mais de três mil pessoas foram conhecê-las no final do mês de março. O segundo bloco anual de visitas deverá ter lugar, como habitualmente, em setembro.

Todos os anos a história repete-se e assim que a autarquia anuncia a marcação das inscrições para as visitas, os bilhetes voam — quando a NiT noticiou as vagas para estas datas de março, elas esgotaram minutos depois de o artigo ser publicado. E isto com dezenas de horários disponíveis, em vários dias.

Cada visita custa 2€ — os menores de 12 anos não pagam. Além das visitas “normais”, o Museu de Lisboa promove percursos pedonais temáticos com início nas Galerias Romanas e final nos núcleos do Museu de Lisboa: Santo António, Teatro Romano e Casa dos Bicos (núcleo arqueológico).

Segundo a EGEAC, a estrutura romana foi descoberta no subsolo da Baixa de Lisboa, em 1771, na sequência do terramoto de 1755 e posterior reconstrução da cidade.

Ao longo dos tempos, as galerias têm sido objeto de diversas interpretações quanto à sua função original. Atualmente, teses quase unânimes avançam a possibilidade delas terem sido um criptopórtico. Ou seja, uma solução arquitetónica que criava, em zona de declive e pouca estabilidade geológica, uma plataforma horizontal de suporte à construção de edifícios públicos de grande dimensão.

A descoberta de uma inscrição a Esculápio, Deus da Medicina, que se encontra atualmente no Museu Nacional de Arqueologia, poderá ser uma confirmação do caráter público deste edifício. A inscrição está feita em nome de dois sacerdotes do culto imperial e em nome do Município de Olisipo, gravada numa das faces de um bloco de calcário e datada do século I a.C.

No início do século XX, as galerias ficaram conhecidas como as “Conservas de Água da Rua da Prata” por serem utilizadas pela população como cisterna.

Em março, a NiT foi visitar o local na sua primeira abertura anual e mostra-lhe numa reportagem fotográfica porque são mesmo incríveis. Carregue na galeria para ver as imagens.