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Filme de Terry Gilliam deixou Convento de Tomar parcialmente destruído

Uma fogueira gigante, árvores cortadas e pedras partidas. Produtora diz que tudo estava autorizado, funcionários do espaço denunciam várias fraudes no local.

O Convento de Cristo é património mundial da UNESCO

O programa “Sexta às 9”, da RTP1, foi investigar os estragos deixados no Convento de Cristo, em Tomar, devido à realização de um filme mas encontrou denúncias de um esquema bem maior.

Comecemos pelo início. A produção de “O Homem que Matou D. Quixote”, o mais recente projeto escrito e realizado por Terry Gilliam, ex-Monty Python, esteve em filmagens no monumento durante três semanas.

De acordo com funcionários do local, cortaram árvores, deixaram pedras e telhas partidas e fizeram uma fogueira de 20 metros de altura. No interior do edifício histórico, que é património mundial da UNESCO, terão chegado a estar dezenas de bilhas de gás.

Jorge Custódio, antigo diretor do Convento de Cristo, disse à RTP1 que esses comportamentos são “irresponsabilidades” e “pecados públicos”. Aliás, nem sequer são permitidos em monumentos deste género, mas a Ukbar Filmes garantiu que “o fogo e corte de árvores estavam previstos”.

Pelas filmagens terão sido pagos 172,500 mil euros. No final, devia ter acontecido uma vistoria ao espaço feita pela diretora, Andreia Galvão, e por técnicos para garantir que não havia estragos. De acordo com funcionários e ex-funcionários, nada disso foi feito.

Os trabalhadores vão ainda mais longe nas acusações e denunciam uma fraude que durará há anos. Os turistas “são enganados, são roubados”, disse um funcionário ao “Sexta às 9”, referindo-se ao que se passa diariamente nas bilheteiras.

Haverá dinheiro desviado constantemente, os bilhetes emitidos não têm um controlo eficaz e existirá até quem “tenha dois envelopes [para as receitas], um é para entregar, o outro é para levar para casa e toda a gente sabe”.

Em 2016 o Convento de Cristo recebeu mais de 300 mil pessoas mas, ao confirmarem-se as práticas e falta de controlo, os números nem sequer serão reais. Funcionários e ex-funcionários do espaço já terão alertado para o problema. “Os responsáveis da bilhética sabem.”

 

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