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FairBnB: a plataforma que quer usar os lucros dos alojamentos para ajudar comunidades

Quer ser uma alternativa "mais ética" ao Airbnb. Arranca em abril.
FairBnb começa a atuar em Amesterdão na primavera.

Juntamente com o seu dinheiro, os turistas podem trazer problemas para os moradores das cidades turísticas visitadas em massa. O aumento do preço do arrendamento, imóveis, serviços e produtos são um fenómeno comum em qualquer lugar que receba um grande número de pessoas dispostas a gastar mais do que o normal, enquanto aproveitam as férias.

Cidades como Amesterdão, Barcelona e Berlim estão em guerra contra as plataformas de alojamento local, como o Airbnb. Já adotaram regras para banir o aluguer temporário de moradias e conter os preços exorbitantes dos arrendamentos. Na capital holandesa, por exemplo, os anfitriões só podem partilhar a própria casa com turistas durante 30 dias por ano.

Em Barcelona e em Palma de Maiorca, o descontentamento gerou protestos contra o turismo em massa. Os manifestantes levaram cartazes e escreveram nos muros “o turismo mata os bairros” e chegaram mesmo a comparar a atividade com o terrorismo.

A nova plataforma FairBnB quer competir com o gigante do aluguer online ao oferecer uma experiência de turismo que diz ser mais ética e responsável. Como isto é possível? A proposta é reinvestir metade dos lucros dos alojamentos de curta duração nas comunidades onde a empresa opera e, assim, combater os efeitos negativos do turismo.

Protestos contra o turismo em Barcelona, em 2018.

A partir desta primavera, o FairBnB começa um programa piloto em cinco cidades europeias: Amesterdão, Barcelona, Bolonha, Valência e Veneza. 

A empresa define-se como um “grupo de ativistas, programadores, investigadores e criativos de todo mundo que se conecta com o objetivo de criar uma solução viável financeiramente e que seja uma alternativa às plataformas comerciais”.

O FairBnB quer ser gerido por quem é afetado pelo seu uso: anfitriões, hóspedes, vizinhos e empresários locais vão tomar decisões em conjunto para o bem da comunidade. Com o governo local, a plataforma vai promover regulamentações que favoreçam o turismo sustentável.

Cinquenta por cento dos lucros das comissões do site vão ser reinvestidos em cooperativas de alimentos, jardins comunitários ou centros culturais. Os moradores da região vão votar para escolher os projetos sociais que receberão doações. Outra das decisões é o limite de um único imóvel por anfitrião e a partilha de dados com a autarquia local.

Enquanto o FairBnB não entra em funcionamento, a equipa está a angariar agentes locais e parceiros no seu site.