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Caos em Lisboa: EMEL diz que lugares pagos em cima do passeio são provisórios

Em Campolide surgiram espaços marcados (e tarifados) a ocupar deliberadamente a calçada. A revolta espalhou-se pela Internet.
Imagem partilhada no Facebook.

O Código da Estrada proíbe claramente o estacionamento em cima dos passeios; a Polícia de Segurança Pública — e em Lisboa, também a EMEL —, tende a multar ou bloquear sem perdão quem quebra esta regra. Os motivos são normalmente claros: os passeios são necessários para os cidadãos, carrinhos de bebés ou pessoas de mobilidade reduzida conseguirem circular em segurança.

Só que na freguesia de Campolide, em Lisboa, começaram desde a passada semana a surgir lugares, tarifados pela EMEL e marcados no chão, onde não só se incentiva, com as marcas, os carros a estacionarem parcialmente em cima do passeio — como esses espaços ainda são pagos.

A denúncia chegou — e inflamou — as redes sociais, onde se mostram exemplos fotográficos que ilustram a situação e se expressa a discordância quase geral dos cidadãos.

A jornalista Marta Rangel foi uma das primeiras pessoas a partilhar as imagens, que entretanto se tornaram virais. Nelas, vê-se perfeitamente as marcas a delimitar parte da estrada e parte do passeio, seguindo-se depois uns pilaretes a reservarem o pouco espaço que sobra do passeio para os peões.

Publicado por Marta Rangel em Quarta-feira, 26 de junho de 2019

A situação retratada pela publicação viral é na Rua Vieira Lusitano, mas há também lugares marcados noutras vias da freguesia lisboeta.

A NiT contactou a EMEL sobre estas denúncias e obteve a explicação de que estes layouts “foram solicitados pela Junta de Freguesia e devidamente autorizados pela Câmara Municipal de Lisboa”.

A empresa municipal que regula o estacionamento na cidade adianta ainda que os mesmos “tiveram o intuito de resolver a pressão do estacionamento na zona”. Diz, por último, que a solução e as marcações “pretendem ser provisórias”.

Contactadas pela NiT, a Câmara de Lisboa e a Junta de Freguesia de Campolide não adiantaram mais detalhes, mas o “Observador” refere que ambas confirmam que a situação é temporária e que ficará resolvida nos próximos meses.

A solução, adiantam, terá sido pedida pelos moradores e aprovada em reunião da junta. A falta de lugares é um programa recorrente na zona e a Câmara Municipal estará a criar um parque de estacionamento em Campolide exclusivo para residentes, que pretende substituir esta medida.

As duas entidades garantem ainda que o espaço deixado pelos pilaretes foi medido e acautela a passagem de peões e carrinhos; e que, antes desta solução temporária, a situação era pior porque os carros tendiam a ocupar regularmente os passeios todos.