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“El País” mostra os 5 palácios que deve conhecer em Lisboa, “antes de caírem”

Javier Marín del Barrio, correspondente do jornal espanhol, diz que em Lisboa as coisas não se deitam abaixo: caem.
A Quinta das Águias é um dos visados.

A NiT escreveu sobre ele há dois anos: o Palácio das Águias em Lisboa é, para Javier Marín del Barrio, correspondente do “El País” na capital, o mais triste de vários exemplos de palácios e edifícios incríveis, em alguns casos históricos, e absolutamente degradados e abandonados.

“Em Lisboa, as coisas não se deitam abaixo: caem”, diz Barrio numa secção do jornal espanhol que alimenta em género de blogue, com as suas notícias e histórias sobre o país onde agora vive: o nosso.

Uns porque sofrem de negligência, outros devido à burocracia excessiva, mas serão dezenas as casas nobres que aguardam uma restauração urgente na cidade. E a regra é que, normalmente, as autoridades esperam demasiado tempo para agir, explica Javier Martin no seu último artigo, publicado este sábado, 19 de janeiro.

O jornalista adianta que. ainda assim e graças ao turismo, nos últimos cinco anos muitos palácios foram recuperados. O turismo trouxe investimentos imobiliários e a Câmara aproveitou o interesse na cidade para leiloar os palácios de Benagazil, Braamcamp, Machadinho e Palcas Palha. A maioria acaba, escreve, convertida em hotéis de luxo, sob a estrita supervisão de todas as autoridades de inspecção e património cultural, local e ​​nacional.

“Às vezes, essa vigilância é contraproducente porque o promotor desiste e o palácio continua a sua queda lenta”, escreve Javier.

Para o jornalista, o “mais triste” dos exemplos de abandono é o do Palácio das Águias, também conhecido como Quinta das Águas. “Mil vezes saqueado, pintado e comido pela vegetação. Quase não restam mais peças, tiradas uma a uma dos seus 42 quartos, escadas e salas nobres. Uma única telha é vendida na Feira da Ladra por 20€”, conta.

Há dois anos, a NiT contou a história da Quinta das Águas, quando esta estava à venda no site Idealista por 17,5 milhões de euros. Depois de uma história conflituosa na justiça, a quinta continua abandonada.

Na mesma zona ficam o segundo e terceiro espaço apontados no “El País”: o Palácio da Ribeira Grande e o de Burnay. A Rua Junqueira é, aliás, descrita como a que mais “simboliza a decadência palaciana em Lisboa”.

O palácio Silva Amado, Campo dos Mártires da Pátria, é o mais privado de todos, e numa tentativa de ser convertido em hotel de luxo, tem “saltado de imobiliárias para imobiliárias”. O seu interior é uma preciosidade, cheia de mármores e seixos de ouro, adianta.

O quinto dos palácios com o futuro em questão é propriedade da Igreja. “Teve melhores dias recentemente, em 1982, quando alojou o Papa João Paulo II, depois de algumas obras rápidas”. Desde 2010 que espera uma requalificação como um hotel de luxo. Martin não revela o nome deste quinto local, mas deverá tratar-se do Palácio do Patriarcado.