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Na cidade

Isolamento está a mudar a forma como a Terra se move

Cientistas explicam que houve uma diminuição no ruído sísmico por causa das mudanças na rotina das pessoas.
São conclusões surpreendentes.

A pandemia de Covid-19 obrigou grande parte da população mundial a fechar-se em casa — esta tem sido apontada a maior arma para combater a doença. No meio do medo, o novo coronavírus refletiu-se, também, na emissão de menos um milhão de toneladas de CO2 por dia. Os cientistas avançam agora que o isolamento social está a mudar até a forma como a Terra se move.

O British Geological Survey, no Reino Unido, recolheu os dados de sismómetros em Londres que mostram “uma queda nos níveis de ruído à medida que a atividade humana diminui”, pode ler-se no jornal britânico “Daily Mail”. 

Os sismólogos têm constatado que, por causa do isolamento social, há muito menos ruído sísmico — nome dado ao barulho gerado pelas vibrações na crosta do planeta —, o que, por sua vez, faz com que esta se mova menos. Acreditam que isto se deve ao facto de grande parte da população estar em casa. Ou seja, há uma menor circulação de pessoas e carros pelas cidades, além da pausa noutras atividades. Pode parecer exagerado mas, segundo os especialistas, as nossas ações, quando somadas, têm mesmo impacto na dinâmica terrestre.

Com este cenário, poderá ser possível detetar terramotos menores e intensificar os esforços para a monitorização da atividade vulcânica e outros eventos similares, acrescentam.

De acordo com os investigadores, tendências semelhantes foram observadas em Paris (França), Bruxelas (Bélgica), Los Angeles (Estados Unidos) e Aukland (Nova Zelândia).

“Uma redução de ruído desta magnitude ocorre geralmente, por um período muito breve, na época do Natal”, diz Thomas Lecocq, um sismólogo do Observatório Real da Bélgica em Bruxelas, onde esta queda dos valores foi observada.  

Na capital da Bélgica, a redução dos ruídos sísmicos causados por humanos caiu até um terço desde que foram implementadas medidas de isolamento social. O país europeu, que já soma mais de 18 mil casos, fechou escolas, bares e restaurantes e proibiu todas as viagens não essenciais até 19 de abril. 

Porém, estas reduções não são assim tão incomuns: aos fins de semana, por exemplo, o ruído de fundo causado por humanos, normalmente, é menor. Mas, como disse à revista científica “Nature” Thomas Lecocq, esta diminuição nunca foi tão prolongada como agora.

Há cientistas que estão a divulgar conclusões parecidas. No Twitter, Stephen Hicks, da Imperial College, também em Londres, no Reino Unido, revelou dados que provam a redução da atividade sísmica no Reino Unido. O sismólogo deu como exemplo a estação que fica perto da rodovia M4 — uma estrada que liga Londres ao País de Gales —,  que reflete o menor tráfego de carros na região.

Também no Twitter, Celeste Labedz, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, mostrou uma diminuição acentuada na atividade sísmica medida em Los Angeles. “A queda é realmente radical”, escreveu. 

Para a geóloga do US Geological Survey, no Novo México, Emily Wolin, o efeito não será tão visível em todas as estações de monitorização sísmica do mundo, já que muitas delas estão localizadas em áreas remotas ou em locais profundos, para evitar ruídos humanos. Mas, uma coisa é certa: o isolamento está a mudar até a forma como a Terra se move.