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Na cidade

Comerciantes da Baixa de Lisboa preocupados com possível falência de lojas

O presidente da Associação de Valorização do Chiado acredita que as lojas mais antigas não consigam sobreviver à pandemia.
A economia vai sofrer.

Os tempos particularmente difíceis que Portugal e o mundo atravessam devido à pandemia de coronavírus estão a ter fortes impactos em vários setores da economia. Além do turismo, o comércio local vai ser um dos mais afetados nos próximos meses. 

Preocupados com esta situação e com receio de ter de fechar portas dos seus estabelecimentos estão os comerciantes das lojas da Baixa de Lisboa. Esta quarta-feira, 1 de abril, o presidente da Associação de Valorização do Chiado (AVChiado), Vitor Silva, disse em entrevista à “Lusa” que muitas lojas do centro histórico da capital podem mesmo fechar por não terem acesso às linhas de crédito do governo.

“É uma matéria que não tem sido debatida e que é grave, porque muitas empresas não têm acesso ao lay-off. Não são contempladas, porque basta ter algum atraso na Segurança Social ou no fisco”. 

O presidente da AVChiado defendeu o não despedimento de trabalhadores para garantir o acesso a apoios financeiros, mas acrescentou ainda que as lojas mais antigas – as “Lojas Com História” – serão as primeiras a entrar em rutura. “Estas empresas não vão conseguir pagar salários, não vão conseguir pagar rendas, não vão conseguir pagar seguros e não vão conseguir pagar a mercadoria aos fornecedores”, alertou. 

Também o vice-presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP), Vasco Melo, explicou que o futuro do comércio na Baixa da capital é incerto, referindo também que muitas lojas vão ver-se obrigadas a fechar as portas.

“Pensamos que muito comércio vai encerrar. Principalmente, muito comércio independente. (…) Aquela que tem sido a maior [preocupação] é como irão pagar, ao final deste mês, os seus compromissos e honrar os seus compromissos, nomeadamente os salários”, sublinhou o vice-presidente da ADBP.

Também esta quarta-feira, 1 de abril, o Conselho de Ministros decidiu prolongar o estado de emergência durante mais 15 dias. Falta apenas o Presidente da Republica criar o decreto e a Assembleia da República aprová-lo — ambos quase certos. Segue-se depois um novo encontro do Conselho de Ministros, que terá lugar já esta quinta-feira, 2 de abril, para a definição dos contornos e medidas a adotar durante este prolongamento.