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Cidadãos votam “sim” à entrada da EMEL em Benfica — e junta vai avançar com pedido

77% dos moradores disseram que não se importavam de ter estacionamento pago no bairro de Lisboa.
Cidadãos parecem querer a EMEL no seu bairro.

O tema não é linear nem consensual ou livre de polémicas — não costuma ser, quando o que está em causa são estacionamentos tarifados pela EMEL — mas os moradores da chamada Zona 45, em Benfica, votaram “sim” à entrada da EMEL no bairro. E a junta de freguesia vai acatar a sua vontade e pedir uma reunião com a empresa de estacionamento municipal, para garantir que esta acontece o mais breve possível.

A Zona 45 abrange vários números da Avenida do Colégio Militar (do 1 ao 34), outros da Estrada de Benfica ( do 440 ao 454, pares, e 503 — mais ou menos a zona do Centro Comercial Fonte Nova) e ainda as ruas Barroso Lopes, Paulo Renato, Dr. João Couto, Julião Quintinha e parte da Rua Joaquim Paço de Arcos.

Nos passados dias 11 e 12 de janeiro, uma sexta-feira e um sábado, a Junta de Freguesia de Benfica decidiu promover uma consulta de bairro, convidando todos os moradores destas ruas a pronunciarem-se sobre se queriam, ou não, que a EMEL entrasse neste espaço e tarifasse os lugares de estacionamento. A resposta foi avassaladora, a favor do sim: das 412 pessoas que votaram, 77,2% escolheram abrir portas à EMEL e 22,8% foram contra.

A autarca de Benfica, Inês Drummond, diz agora que vai acatar a vontade de quem votou e que irá pedir a tal reunião com a empresa municipal. E recusa críticas, de terceiras partes e de várias dezenas de pessoas na página de Facebook da Junta, onde muitos a acusam de seguir uma consulta não representativa da vontade global.

Resultados da Consulta de Bairro, decorrida nos dias 11 e 12 de janeiro, aos moradores residentes nas ruas abrangidas…

Publicado por Junta de Freguesia de Benfica em Sábado, 12 de janeiro de 2019

“Nós promovemos a consulta de bairro exclusivamente nas áreas abrangidas pela Zona 45. Benfica tem problemas e características muitos distintas de zona para zona e de bairro para bairro, e neste momento o estacionamento não é um problema no Bairro da Boavista, por exemplo, pelo que não faria sentido os seus moradores se pronunciarem agora. Mas os moradores diretamente afetados pela situação atual tiveram dois dias para o fazer, à sua vontade, num centro comercial [Fonte Nova], com um horário alargado para se poderem deslocar”, explica Inês Drummond à NiT.

De acordo com a autarca, existem cerca de 975 alojamentos na Zona 45 e, segundo os Censos. há 1539 cidadãos maiores de 18 anos que moram ali. O que significa que cerca de 30% dos moradores votaram. “Mais ou menos o mesmo que nas eleições europeias”, frisa.

A presidente da junta garante que entende todos os lados: os de quem querem o estacionamento tarifado, mesmo sabendo que terão de pedir (e pagar) dístico de moradores, os que não querem e até das pessoas de outras zonas que se deslocaram à votação para expressarem o seu desagrado pelo estacionamento tarifado em geral. Há ainda a hipótese de o estacionamento pago em Benfica, empurrar carros para outros bairros vizinhos.

“Mas temos de ver caso a caso, e bairro a bairro. E aqui, agora, há de facto um problema”, adianta.

Tudo começou no ano passado, quando a EMEL chegou a Carnide e a São Domingos de Benfica. “A vida das pessoas que moram em Benfica mudou para pior. Começaram a vir carros de trabalhadores do Colombo, de São Domingos e Carnide, carros dos arredores, todos deixam ali o carro porque só ali não pagam. Tornou-se um ponto de estacionamento para milhares, um inferno”.

Por isso, Drummond esperava esta resposta. “Nós já tínhamos uma petição e vários abaixo assinados de moradores nesse sentido, a pedir a EMEL, e por isso lançámos a consulta.” As pessoas parecem preferir pagar dístico para resolver a situação de invasão e passarem a ter lugar para estacionar.

A autarca garante ainda que há dez anos considerava que não fazia sentido a EMEL entrar na zona e até lutou por isso, mas “a situação alterou-se muito”.

Com este resultado, a junta espera conseguir da EMEL uma confirmação sobre a entrada para o ano, ou até este ano, se possível. E se a situação se repetir noutros bairros, haverá novas consultas.