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Cantinho da Milú: a associação sem fins lucrativos que dá abrigo a 750 cães

No terreno de 25.000 metros quadrados, Emília Silva, ou Milú, alberga e cuida de mais de 700 cães à espera de serem adoptados.
O Cantinho da Milú.

Tudo começou com uma pequena cadela chamada Twice. Estávamos em 1993 quando Emília Silva — conhecida como Milú —, encontrou o animal, com pouco mais de dois meses, no Marquês de Pombal, em Lisboa, em muito mau estado.

Natural de Angola, Milú sempre sentiu um grande amor por animais. A mulher de 61 anos recolheu a Twice, a quem foi diagnosticada parvovirose. Mas a história não acabou aqui: nos anos seguintes, Milú foi acolhendo vários animais abandonados, doentes ou maltratados até que, em fevereiro de 2007, comprou um terreno que tivesse capacidade para os receber todos.

E assim nasceu, em abril de 2011, o Cantinho da Milú: uma Associação Protectora de Animais, sem fins lucrativos, localizada em Setúbal. “A Milú também reside no distrito de Setúbal, a profissão dela é tratar dos animais que alberga, 365 dias por ano”, explica à NiT Alice Gomes, colaboradora do espaço.

“Começou como todas as protetoras de animais, com um, dois , três, dez cães. Neste momento temos cerca de 750 animais, a maioria cães.” O gatil da associação é pequeno, “não temos capacidade para mais”, albergando cerca de dez gatos.

Na quinta, com 25 mil metros quadrados, há vários parques vedados, com espaço interior e exterior, por onde os cães estão repartidos. “Nenhum animal vive em boxe ou acorrentado. Todos os cães são soltos ao longo do dia para poderem correr na quinta, brincar e conviver com outros cães”, garante Alice Gomes.

A associação enfrenta desafios diários, com a necessidade constante de comida, e tratamento dos animais. Mas existem várias formas de ajudar. “As maiores dificuldades são a falta de espaço frente a tanto pedido de ajuda. Não conseguimos ajudar toda a gente. É impossível. Recebemos dezenas de pedidos de ajuda por dia, desde particulares, a associações, ou canis municipais.”

Os casos mais urgentes têm prioridade e a melhor forma de ajudar é adotando os animais. “Mas as adoções devem ser muito rigorosas, senão podem acabar em devoluções, abandonos ou animais negligenciados, ou maltratados”, clarifica a funcionária.

Para ajudar, é possível tornar-se sócio do Cantinho da Milú, por 30€ por ano; tornar-se voluntário, ajudando na limpeza dos parques, nos banhos e tosquias, ou nos passeios; participar nas atividades da associação, como campanhas alimentares ou venda de rifas; efetuando um donativo; doando bens, como ração ou medicamentos; dando guarda temporária a animais; apadrinhar um animal, contribuindo para as suas despesas; ou ligando para o número solidário da associação (760 301 230).

Nos últimos dias, o Cantinho da Milú tem sido também destacado por ter sido uma das associações a receber alguns dos 18 galgos retirados ao toureiro João Moura por subnutrição. Esta associação acolheu nove dos galgos.

“Os resultados dos testes chegaram: os hemogramas, bioquímicas e proteinogramas apresentam valores alterados. Alguns cães têm uma forte anemia, outros deram positivo a Babesia e/ou Ehrlichia (dois diferentes tipos de febre da carraça). Os nove cães deram negativo a Leishmaniose e Dirofilariose. Vão ser iniciados os devidos tratamentos”, pode-se ler numa publicação na página oficial de Facebook, feita no dia 22 de fevereiro.

Segundo o Cantinho da Milú, têm sido muitas as pessoas interessadas em adotar estes galgos, no entanto, por enquanto “não estão prontos para adoção”.

De seguida, carregue na galeria para conhecer melhor a quinta e alguns dos animais que estão para adoção de momento.