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Câmara recua e ajuda a acabar com plano da Igreja entre escolas

Caso de Telheiras correu notícias e a petição já tem mais de 3300 assinaturas. Agora, também a Câmara de Lisboa quer encontrar um novo espaço para a igreja e capela mortuária.

O jardim que ia desaparecer — ou talvez não.

Foi a Câmara Municipal de Lisboa que investiu em 2015 na criação de um jardim em Telheiras, entre duas escolas. Foi a mesma câmara que cedeu o terreno à Paróquia de Telheiras um ano depois, para ali construir um centro paroquial, uma igreja e uma capela mortuária. Agora, a autarquia reconhece o problema levantado por milhares de cidadãos e promete ajudar a encontrar um novo espaço para a Igreja e uma solução para o caso.

Até agora, o espaço ajardinado com cerca de dois mil metros quadrados era utilizado pelas crianças da Escola Básica N.º 1 de Telheiras e o Jardim de Infância de Telheiras, mas tudo mudou com um anúncio: o de que autarquia tinha cedido, à Paróquia de Telheiras um terreno por apenas 5€ (e que estaria avaliado em um milhão) para a construção de uma igreja, centro para idosos, armazém para recolha e distribuição de alimentos, espaço solidário para recolha e distribuição de roupa, centro de aconselhamento e apoio familiar, espaço para eventos, salas de reuniões para encontros de várias valências e capelas mortuárias — e tudo isto mesmo no meio das duas escolas, onde estudam cerca de 500 crianças. 

A revolta de moradores, professores e encarregados de educação foi imediata: houve reuniões, petições e cordões humanos. Todas pediam que a CML voltasse atrás e que o espaço permanecesse de lazer. Só a petição já tem mais de 3300 assinaturas.

Em reunião da assembleia municipal esta terça-feira, 27 de março, o presidente da Câmara, Fernando Medina, anunciou agora que o município vai ajudar a encontrar uma nova localização para a igreja e casa mortuária que seriam construídas junto às escolas.

Segundo a Lusa, citada por vários meios, Medina admitiu que que “não interessa a ninguém, não interessa ao Patriarcado, não interessa à freguesia, não interessa seguramente à Câmara insistir numa solução que não tem o apoio da freguesia e da população”.

A autarquia não pretende avançar “contra uma vontade expressa de parte da população”, acrescentou, e está “muito disponível para trabalhar com a igreja, procurar essa solução”. A alternativa será procurada “dentro do património que Câmara dispõe dentro daquela freguesia, e freguesias limítrofes”.