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Cachecol gigante feito nos atrasos dos transportes vendido no eBay — por 7 mil euros

Uma cidadã comum tricotou um diário das suas esperas em comboios e o resultado foi um sucesso.
Cada faixa marca um tipo de atraso.

É uma cidadã comum, uma trabalhadora na área de Munique, utilizadora de transportes públicos e “entusiasta do tricot”, como descreve a própria filha. Em 2018, Claudia Weber, uma alemã de 55 anos, foi tricotando uma peça original: um “lenço de atrasos de comboio”, como lhe chamou.

Todos os dias, ela fazia duas filas de lã por dia: as cinzentas para os atrasos com menos de cinco minutos, as rosa para as esperas de cinco a 30 minutos e as vermelhas para atrasos em ambas as viagens, ou de mais de 30 minutos. Agora, vendeu o cachecol no eBay e é notícia em todo o mundo por ter conseguido mais de sete mil euros.

Tudo começou no ano passado. No início de 2018, Claudia decidiu pegar nos atrasos de comboio que suportava todos os dias — variados nos tempos de espera, porém constantes — e para resolver a sua frustração com a situação, em vez de reclamar ou de desesperar ela decidiu ser proativa e dar uso à sua paixão: tricotar, neste caso um cachecol simbólico.

Segundo conta o “The New York Times“, que dá destaque a esta história passada na Alemanha, depois dos seus dias de trabalho marcados por atrasos, Claudia chegava a casa todas as noites e fazia uma espécie de diário no lenço: acrescentava as filas de lã em riscas, tudo com a lógica das cinzentas, rosas e vermelhas, alternadas consoante o tempo que tinha esperado nesse dia.

“Não é uma estatística; é um ano e como eu me sentia a respeito disso ”, disse Weber, 55 anos, funcionária de uma agência de viagens, em entrevista por telefone ao jornal norte-americano.

O cachecol é mesmo um relato: no final de inverno e primavera, tudo parecia bem, como o mostram as filas cinza e por vezes rosa. Mas chegou o verão e começaram umas obras de engenharia na linha, e é aí que todos os dias são, de repente vermelhos.

Em cada um, um percurso de 40 minutos passou a demorar mais de duas horas, “mesmo no calor, quando o que menos se quer é estar fechado horas num comboio”, contou a um jornal do Canadá.

A filha de Claudia, Sara, partilhou a dado ponto a empreitada da mãe no seu Twitter, mas como Sara Webber é uma jornalista com algum nome na região, foi um instante até a noticia se tornar viral e a sua mãe uma sensação das redes sociais.

Esta semana, o cachecol dos atrasos, à letra “Bahn-Verspätungsschal”, voltou a ser notícia, desta feita em todo o mundo: isto porque depois de terminado, foi posto por Claudia e pela família à venda no eBay, para arrecadar dinheiro para uma instituição de caridade da Alemanha que fornece assistência gratuita a passageiros vulneráveis, ​​ou a pessoas que enfrentam emergências nas viagens de comboio.

E esta segunda-feira, 14 de janeiro, o cachecol foi arrematado por 7.550€ por um comprador desconhecido.

“Ficámos todos muito surpresos”, disse a filha de Claudia, Sara Weber, citada por vários meios. “Ela sempre disse que é uma loucura porque é tão feio e não entende por que as pessoas pagariam tanto por isto.”

Na Alemanha, há várias notícias que relatam atrasos constantes nos comboios de curta e longa distância. A companhia ferroviária alemã Deutsche Bahn nomeou recentemente um gerente de crise para melhorar a sua pontualidade.

Entretanto, Claudia Weber já começou o seu cachecol dos atrasos de 2019.