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Parque de caravanas de Santos está a ser transformado em estacionamento da EMEL

Terreno alcatroado ao lado do Urban Beach vai dar lugar a 610 lugares tarifados, soube a NiT.
O Urban Beach é um dos focos de afluência na zona.

Ninguém sabe bem como, ou quando, começou este fenómeno, mas sabe-se quando se tornou mais notório: no início do ano passado, quem passava pela Avenida da Brasília, Rua da Cintura do Porto de Lisboa, de dia — ou visitava a discoteca Urban Beach, logo ali ao lado, de noite —, reparou em algumas caravanas no local: primeiro poucas, depois algumas e de repente muitas.

O espaço, aparentemente disponível numa zona nobre e até com vista sobre o rio, começou progressivamente a encher-se de auto caravanas, portuguesas e estrangeiras, e de pessoas que faziam, do terreno alcatroado junto ao rio, sua casa — ou negócio, não necessariamente lícito.

Na altura, começaram a suceder-se criticas, devido aos problemas de lixo e segurança criados pela situação, numa zona com comércio, serviços, ginásios, espaços de diversão noturna. 

Em meados ano passado, a Administração do Porto de Lisboa dava os primeiros indícios de que a situação iria ser resolvida, com o aproveitamento do espaço para estacionamento da EMEL. Agora tudo se confirma: a zona vai ser requalificada e aproveitada para estacionamento da empresa, que passa a garantir assim a sua fiscalização e gestão. O parque já está, aliás, a ser construído desde o dia 11 de fevereiro — e as caravanas vão ficando sem espaço para estacionarem

A confirmação foi dada à NiT pela própria empresa municipal de estacionamento, que adiantou que o aproveitamento do espaço será feito por fases. A primeira já está em curso e corresponde a cerca de 60% da área de intervenção. As obras terminam no dia 11 de março.

Logo de seguida começa a segunda fase, que se prolongará até 15 de abril. 

A intervenção implica a reabilitação do terreno e a instalação de sinalética, bem como a posterior gestão. O número de lugares criados é de 610 e o parque será de rua, ao ar livre, adianta a EMEL.

A Junta de Freguesia da Estrela aplaude a decisão, mas diz que a irá seguir com atenção, a fim de confirmar que a direção escolhida foi a certa. O problema, confirma o presidente da junta, Luís Newton à NiT, começou a agravar-se no ano passado.

“De início, apareciam umas auto caravanas amiúde. De repente, ninguém entende bem como, eram dezenas e não só de turistas de passagem, mas de todo o tipo”.

Foi por esta altura que a junta começou a receber dezenas de queixas sobre segurança, lixo e não só. “Tínhamos relatos de jovens que eram aliciados para entrar nas caravanas, óbvio sinal de algo ilícito”, adianta.

Com a frente ribeirinha da capital praticamente toda requalificada e aquela zona, no espectro oposto, um foco de insegurança e abandono, a junta pediu o apoio da autarquia. “Foram apresentadas várias soluções, mas a Câmara concluiu que a mais rápida e eficaz, para resolver o problema, era a requalificação da EMEL, tornando o espaço uma zona de gestão, fiscalizado”.

O único problema é, lembra o autarca, que a EMEL atua e fiscaliza sobretudo de dia e muitos dos problemas relatados acontecem durante a noite. “Mas vamos acompanhar de perto a situação, avaliar o impacto, para ter a certeza de se esta foi a solução certa ou se haverá outros caminhos a seguir”.

Na zona de Santos, a EMEL tem já um parque vedado com cancela, o de de Santos-Rio, que abriu em 2011, e dispõe de 210 lugares.