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Há uma empresa a despejar lixo ilegalmente a céu aberto no Parque da Arrábida

Mais de seis meses depois de ter sido revogada a licença, os resíduos continuam a ser depositados junto ao Ribeiro do Cavalo, uma das praias selvagens mais famosas do mundo.
Em plena Serra da Arrábida.

O aterro a céu aberto, no Zambujal de Cima, Concelho de Sesimbra, explorado pela empresa Greenall Life — Reciclagem, Aterro E Ambiente, continua a receber descargas ilegais de resíduos, mesmo depois da revogação da licença de exploração. O documento foi emitido no passado dia 3 de junho de 2019 pela CCDR-LVT — Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, entidade licenciadora.

O aterro fica em pleno Parque Natural da Arrábida, a poucos quilómetros do Ribeiro do Cavalo, uma das praias selvagens mais famosas do mundo, e que atrai anualmente milhares de turistas no verão. Os moradores queixam-se há vários anos do “cheiro e fumo intenso, que polui o ar diriamente”, situação que se agravou mais recentemente na época do Natal, devido aos depósitos feitos na antiga pedreira.

Além do encerramento definitivo do aterro, o documento da CCDR exigia que a Greenall Life adotasse várias medidas, como a suspensão imediata da receção de todos os resíduos, a apresentação, no prazo de um mês, de um plano de caraterização dos solos, um plano de remoção dos resíduos contaminados, e ainda um plano de selagem do aterro. No entanto, nenhuma das situações foi cumprida até à data, sendo que a movimentação dos camiões se mantém.

Esta segunda-feira, 13 de janeiro, a NiT esteve presente no local do aterro e acompanhou a visita da deputada Mariana Silva, do Partido Ecologista Os Verdes, juntamente com Francisco Jesus, presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Maria Manuel Gomes, presidente da Junta de Freguesia do Castelo, assim como moradores do Zambujal de Cima e zona envolvente, entre outras entidades.

Em declarações à NiT, Francisco Jesus explicou que “a autarquia já pediu esclarecimentos por diversas vezes à CCDR-LVT e ainda não obteve resposta”. O responsável pelo executivo camarário afirmou ainda que o mais importante neste momento é que “a CCDR-LVT avalie a necessidade ou não de uma providência cautelar, caso tenha havido pedido de recurso por parte da empresa, relativamente à revogação, informação que também ainda não foi confirmada pela CCDR-LVT à autarquia”. 

Há dezenas de resíduos espalhados no local.

Também a presidente da Junta de Freguesia do Castelo reforçou que tal como a autarquia “a Junta tem acompanhado de perto a situação do aterro e também já enviou vários pedidos de esclarecimento à CCDR-LVT, que não mereceram qualquer tipo de resposta”.

Sobre esta matéria, foi apresentada a 17 de dezembro de 2019, na Assembleia Municipal do Castelo, e aprovada por unanimidade, uma moção a exigir o fim do aterro ilegal do Zambujal. O documento foi remetido igualmente para a Assembleia da República, CCDR-LVT,  Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) e órgãos de comunicação locais.