Back in town

Há uma nova app portuguesa que dá dicas aos turistas através do chat

Chama-se SnapCity, é gratuita, e foi criada por dois amigos, André Dias e Manuel Figueiredo.

Que bonita, a Torre de Belém.

São cada vez mais os turistas que chegam a Portugal todos os dias e em comum têm o facto de quererem bons restaurantes, monumentos a não perder, bairros castiços e emblemáticos e sítios secretos onde vão tirar a selfie da vida deles. Enquanto uns se aventuram a perguntar pelas ruas onde é que se comem bons pastéis de nata sem terem de estar em filas ou provam o melhor vinho do Porto, outros resumem a pesquisa às primeiras sugestões que o Google lhes dá.

A partir de agora, os turistas têm mais uma ajuda tecnológica. Chama-se SnapCity e é a nova app portuguesa que pretende melhorar a experiência de quem viaja. Criada pelos dois amigos André Dias e Manuel Figueiredo — que entretanto pediram ajuda a Jorge Veiga, João André e Miguel Amaral — esta plataforma faz o contacto virtual entre os turistas e os locais (leia-se pessoas que vivem nas cidades e têm grandes conhecimentos sobre as mesmas). 

“A ideia de criar esta app surgiu depois de uma viagem que fiz à Ásia com dois amigos, no início de 2016. Fomos à descoberta, só com os hotéis marcados. Quando queríamos saber onde devíamos ir jantar, ligávamos o Tinder e procurávamos raparigas da zona. Depois, pedíamos sugestões dos melhores restaurantes e mercados”, conta André à NiT.

Embora o Tinder seja conhecido por ser uma plataforma que gera encontros e flirts, os três amigos nunca se encontraram com ninguém. No entanto, a experiência foi o ponto de partida para André desafiar Manuel a criar a app.

“Fez-se o clique. Precisávamos de algo assim em Portugal e podíamos ser nós a criar”, explica André. 

Depois de vários meses de testes, surgiu a SnapCity. Como funciona? O modo de utilização é simples: através de um chat. Seleciona-se o destino e o assunto sobre o qual se precisa de ajuda; os locais da SnapCity são notificados e recusam ou aceitam o pedido. Depois, o turista recebe a lista dos “entendidos” disponíveis e inicia uma conversa no chat com quem desejar. No final, há a hipótese de dar uma gratificação (até 50€) ao guia virtual — é também pedido que o turista o classifique com uma nota de uma a cinco estrelas para que a app faça uma melhor triagem na escolha dos “funcionários”.

turistas
É assim que funciona.

E como é que André e Manuel escolhem os locais? “Existem dois requisitos fundamentais: têm de gostar muito da cidade e ter bastante conhecimento sobre a mesma. O registo é feito na aplicação e dura cerca de três minutos. O usuário tem de responder a algumas perguntas e adicionar uma foto de perfil. A partir daí está por conta dele. Se tiver boa classificação por parte dos turistas, vai continuar a ser solicitado”, conta André.

Neste momento existem 10 pessoas locais registadas. Segundo André, há grupos que se adequam mais do que outros.

“Os bloguers de viagens, foodies, condutores de tuc tuc e o staff dos hostels, por exemplo, vão ter maiores probabilidades de serem requisitados. Podem fazer isto nas pausas do trabalho e ainda ganham um extra”.

Extra esse que não é obrigatório, mas que fica registado no historial do turista.

“Vamos imaginar que o turista pede três vezes ajuda e nunca deixa uma gratificação. Isso fica lá descrito. Para a próxima vez que solicitar ajuda, talvez nenhum local o queira fazer.”

O mesmo acontece se o guia virtual não der os melhores conselhos. “Se o local não mostrar realmente conhecimento da cidade, o turista também pode dizê-lo”, explica André.

Normalmente, a conversa no chat dura cerca de um minuto para resolver dúvidas rápidas, mas o acompanhamento, se desejar, pode ser feito durante toda a viagem. Por enquanto a SnapCity só está disponível para Android e nas cidades de Lisboa e do Porto. Até ao final de 2017, “vai ficar disponível para iOS”, garante André.

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