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António Costa: “Vamos descer um degrau na contenção, mas o risco mantém-se”

O primeiro-ministro diz que não se justifica manter o estado de emergência, embora advirta a população que o combate à Covid-19 continua.
O primeiro-ministro anunciou o plano de transição.

“No próximo sábado passam dois meses da deteção do primeiro caso de Covid-19 em Portugal”, explica António Costa durante a conferência de imprensa dada esta quinta-feira, 30 de abril, que serviu para anunciar e planificar aquilo a que chamou a descida de um degrau no nível de contenção.

O conselho de ministros aprovou o plano de transição do estado de emergência para o estado de calamidade, isto depois de analisados todos os dados estatísticos da pandemia que, explica, resultaram na transformação de “uma fase de crescimento exponencial” numa “fase de controlo do ritmo e crescimento da doença”, até chegarmos a uma “inversão do crescimento de novos casos”.

A redução do risco de transmissibilidade foi crucial na tomada de decisão. “O R0 chegou a atingir os 2,53, ou seja, havia o risco de que cada pessoa infetada contaminasse pelo menos duas pessoas e meia”, nota. O valor sofreu uma redução progressiva e atingiu, nos últimos cinco dias, um valor nacional de 0,92. “Todas as regiões têm um R0 abaixo de um”, frisa o primeiro-ministro.

Sublinhada foi também a evolução da doença nos últimos dois meses, surgindo em meados de março uma tendência de queda dos novos casos, “não obstante termos aumentado o número de testes realizados”. Dessa forma, explica o líder do governo, “a percentagem de casos identificados relativamente aos testes feitos é de 5,5 por cento”.

Todas as estatísticas evoluíram favoravelmente: mais recuperados; menos novos casos de infeção; menos óbitos; e menos internados. Aliás, neste último ponto, o número máximo registou-se a 15 de abril com 1322 pacientes hospitalizados. Desde então, o valor tem vindo a diminuir.

“Perante esta realidade, o Sr. Presidente da República entendeu, e o governo apoiou, que não se justificava renovar o estado de emergência”, explicou, antes de frisar que tal não significa “que a pandemia esteja ultrapassada, o risco vencido, e que possamos retomar a normalidade da nossa vida antes de 2 de março”.