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Foi assim que Lisboa ficou depois de dois anos de obras

Os passeios foram alargados, há mais espaços verdes e o trânsito flui de forma diferente. Mas ainda há muito para fazer na capital. 

O Cais do Sodré tem muito mais espaço para passear.

Foi em 2015 que Fernando Medina prometeu aos lisboetas que muita coisa ia mudar na capital. Dois anos e muitas dores de cabeça com trânsito, vias cortadas e muito pó e ruído depois, a promessa de Medina parece estar finalmente a cumprir-se. Há zonas da cidade que estão realmente diferentes, com mais espaços verdes e mais passeios para as pessoas conseguirem circular.

As obras no Cais do Sodré, por exemplo, começaram em novembro de 2015. Na altura, o presidente garantiu que iam existir passeios mais largos e novos espaços verdes que iam permitir ver o Tejo logo ao descer o Chiado. Além disso, Medina afirmava também que os veículos iam passar a circular de maneira diferente. 

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A inauguração oficial do “novo” Cais do Sodré aconteceu em março de 2017, pouco mais de um ano depois de arrancarem os trabalhos. A praça central está maior, há um novo quiosque com uma esplanada e mais espaços verdes com bancos de jardim, ideais para aproveitar o bom tempo dos meses de verão. A circulação de carros e transportes públicos também está mais organizada, e tanto as paragens de autocarro como a praça de táxis mudaram de sítio, para que o trânsito flua melhor. 

Já em Alcântara, as obras começaram no início de 2017 na zona do Largo do Calvário. As mudanças podem parecer subtis para os mais distraídos, mas houve algumas alterações. Segundo o vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa Manuel Salgado, relatou ao jornal “Público” em janeiro desse ano, a ideia seria criar um espaço onde tanto as pessoas como os transportes pudessem circular à vontade. 

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“Um dos problemas principais desta praça é o de compatibilizar um espaço de usufruto das pessoas com o sistema de transportes”, disse o vereador. “Durante o século XX, a prioridade absoluta era ter espaço para o automóvel, espaço para circular com automóvel e para estacionar.” 

A alguns quilómetros encontramos o renovado Campo das Cebolas. As obras começaram em 2015, tal como noutros pontos da cidade, e desde então que foi encontrado um cais, um barco regional do século XIX que transportava mercadorias e ainda outras peças datadas do século XVII. Quanto ao projeto para a renovação, esse ficou concluído em novembro de 2017. 

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As proteções saíram, o jardim já abriu e está dividido em dois espaços, separados por um caminho de cimento. Além disto, há estruturas onde os miúdos podem brincar. O que ainda está em curso é a obra da EMEL, junto do antigo Cais da Ribeira Velha, que irá funcionar como anfiteatro e dar acesso a pé ao parque de estacionamento que está a ser criado debaixo de terra — ao todo, serão 206 lugares.

Mas não foi só a zona mais próxima do rio que foi sofrendo mudanças no últimos anos. O Saldanha foi, provavelmente, a zona que gerou mais dores de cabeça, principalmente a quem circula de carro e de transportes pelo centro de Lisboa. As obras no eixo central começaram em maio de 2016, e desde então que circular de carro entre a Avenida da República e a Fontes Pereira de Melo era um verdadeiro martírio. As obras tiveram como objetivo repavimentar as estradas, reordenar o estacionamento, criar novos espaços verdes, alargar passeios e criar ciclovias com dois sentidos, que podem não ser assim tão seguras quanto isso. 

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Na Praça Duque de Saldanha já não existem tantas vias para circular com os carros nas laterais, os passeios foram alargados e as ruas receberam novas pedras de calçada portuguesa. No cruzamento com a Rua Praia da Vitória, a estrada foi encurtada e aí nasceu um novo quiosque com esplanada. 

Embora algumas das principais zonas da cidade já estejam renovadas, temos más notícias. As obras vão continuar durante algum tempo. Segundo escreveu o jornal “i” em finais de 2017, vai arrancar o Plano Geral de Drenagem de Lisboa. Estas novas intervenções serão essenciais para combater as inundações da cidade. Infelizmente, vão trazer uma série de problemas.

Vão ainda ser construídos dois túneis: um de Monsanto a Santa Apolónia, que vai chegar a atingir os 70 metros de profundidade em algumas zonas; e Chelas-Beato, com 50 metros. Monsanto, Santa Apolónia, Chelas e Beato serão, portanto, as zonas mais afetadas.