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Na cidade

Álvaro Covões ainda não tomou qualquer decisão sobre touradas no Campo Pequeno

O diretor da Everything is New, que está a tentar comprar o espaço, diz que “há problemas mais importantes para resolver”.
O empresário diz que o processo não está concluído.

Nas últimas semanas têm sido publicadas várias notícias que dão conta de um possível acordo para a compra do Campo Pequeno. Álvaro Covões, o diretor-geral da Everything is New, e o fundo Horizon Equity Partners (de António Pires de Lima e Sérgio Monteiro), estarão quase a fechar o negócio.

Foi avançado que Covões ficaria a gerir os espetáculos da arena e o centro comercial, sendo que o Horizon Equity Partners iria ficar responsável pelo parque de estacionamento do espaço. De acordo com as informações veiculadas, o negócio poderá ascender a 37 milhões de euros.

No entanto, o acordo ainda não está concluído e quem o diz é o próprio Álvaro Covões, em declarações prestadas à NiT esta quinta-feira, 14 de novembro. “O tema Campo Pequeno é um tema que ainda não está concluído, por isso não tenho muito a dizer. Ninguém vai falar sobre um restaurante quando ainda não tem a escritura, ou se ainda não fez as obras”, disse o diretor-geral da Everything is New, num evento de apresentação da exposição de “Harry Potter” em Lisboa, no Pavilhão de Portugal.

A possibilidade de o empresário ficar à frente dos destinos no Campo Pequeno já levou à criação de, pelo menos, uma petição, dirigida a Álvaro Covões, onde se pede um novo Campo Pequeno “com cultura e sem tortura”, num abaixo assinado que pretende pressionar Covões a acabar com as touradas na arena.

“É lamentável que Lisboa, enquanto cidade moderna e uma das capitais europeias mais visitadas, ainda admita espetáculos públicos de tortura de animais”, pode ler-se na carta assinada pela Animal. O objetivo de recolher cinco mil assinaturas já está próximo de ser concretizado: à hora de publicação deste artigo, 4416 pessoas já tinham assinado a petição.

À NiT, Álvaro Covões, não quis abordar o tema diretamente, mas assegura que, se as touradas se mantiverem no Campo Pequeno, não será por uma questão financeira. “A tauromaquia não é propriamente um negócio por excelência em Portugal. Não é a tauromaquia que vai viabilizar qualquer negócio na gestão de um equipamento, portanto não é tema. Neste momento tema é o negócio contratual e de viabilização económica.”

O empresário preferiu ainda não revelar a sua posição pessoal sobre as touradas. “Na devida altura, falarei sobre o lado pessoal, mas nunca podemos confundir o pessoal com o empresarial. É muito difícil, é um tema que tem de ser analisado por quem lá estiver na altura certa. Mas não é isso que vai resolver seja o que for.”

Álvaro Covões defende, no entanto, que há “problemas mais importantes para resolver”. “Acho que andamos sempre distraídos com a coisa errada. Eu vi que este governo vai propor a subida da idade mínima para ir a uma tourada, mas quem conhece a lei sabe que aquilo não é mandatório, se forem acompanhados pelos pais podem entrar”, sublinha, frisando que “temos coisas muito mais urgentes”.

“Precisamos de mais teatros, precisamos de mais galerias para exposições temporárias, e isto às vezes parece ilusionismo: tudo a olhar para a mão esquerda enquanto se faz o truque com a mão direita. Mas para não se falar de que precisamos de mais galerias ou teatros, fala-se noutros temas. É um truque recorrente, porque a Cultura está igual a si mesma há 45 anos, não mudou nada, esteja lá o PSD, o CDS ou o PS… acho que temos problemas mais importantes para resolver”.