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Alojamento local com quebra de 60% em Lisboa

No primeiro trimestre do ano houve uma descida do número de pedidos de registos em todo o País — mais expressiva na capital.
Capital sentiu mais a desaceleração.

O número de novos registos para alojamento local em Lisboa caiu 60% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os novos pedidos abrandaram em todo o País, mas a capital destacou-se nesta descida. As associações do setor justificam estes números com uma “autorregulação do mercado”, que terá sido mais importante do que a entrada em vigor das novas regras de contenção. 

Desde outubro de 2018 que as alterações legislativas ao regime do alojamento local determinam que as câmaras municipais e as assembleias de condóminos podem intervir na autorização do exercício da atividade, permitindo a fixação de “áreas de contenção” para “preservar a realidade social dos bairros e lugares”.

Em Lisboa, a Câmara anunciou imediatamente a criação de zonas de contenção em bairros históricos — como Alfama, Mouraria, Castelo, Bairro Alto e Madragoa.

No entanto, segundo a Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP), o crescimento mais moderado no pedido de novos registos em todo o Pais e mais sentido em Lisboa é, “acima de tudo, um sinal de maturidade do mercado, um ajuste que era esperado onde o crescimento da oferta está mais em sintonia com a procura”, explicou à Lusa esta entidade, citada pelo “Observador“.

“Era previsível que o crescimento de alojamentos não pudesse estar sempre muito acima do aumento do número de turistas. É este ajuste que está a acontecer e é uma autorregulação saudável do mercado”, acrescentou a ALEP, lembrando que é natural que a decisão de investir num alojamento local passe a ser mais ponderada, devido à concorrência do mercado.

Segundo a associação, os dados deste ano em Lisboa representam o número de registos mais baixo no primeiro trimestre desde 2015, quando o novo sistema entrou em vigor. “Esta queda adicional, bem acima da média nacional, deve-se a alguns fatores pontuais, como a antecipação dos registos devido ao pico registado na fase de mediatização das suspensões; mas, em geral, a queda é também uma consequência do tal ajuste da oferta e procura já que o mercado de Lisboa se está tornar cada vez mais exigente em termos de concorrência e qualidade dos operadores”, afirmou.

O abrandamento do ritmo de crescimento do alojamento local em Lisboa afetou “quase todas as freguesias” da capital, “inclusive nas regiões vizinhas às zonas de suspensão, onde se dizia que os registos iriam explodir”, referiu a ALEP, acrescentando que tal “não aconteceu, pelo contrário”.

Segundo a associação do alojamento local, “o erro está na radicalização e nas campanhas de pedido de suspensão sem critérios”, uma vez que essas medidas “só criam instabilidade e promovem o efeito contrário como o pico de registos”, que se verificou em Lisboa de julho de 2018, com 820 novos registos, a outubro de 2018, com um acréscimo de 1.829 estabelecimentos, “um aumento quase irracional e desnecessário de registos, muitos nem sequer entraram em operação”.

“Agora que o mercado acalmou, especialmente em Lisboa, é importante não repetir o mesmo erro e deixar que a Câmara Municipal, com calma e critérios objetivos, baseado em números reais, apresente o seu regulamento”, frisou ainda a ALEP.