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Residência oficial do presidente da Câmara de Lisboa disponível para alojamento local

A NiT tentou marcar uma noite em novembro através do booking.com e consegue: 1117€, com capacidade para oito pessoas.

O pequeno-almoço está incluído.

A residência oficial do presidente da Câmara de Lisboa está disponível para alojamento local no booking.com. A propriedade, construída em 1920, tem 350 metros quadrados, capacidade para oito pessoas e “disponibiliza uma acomodação com um terraço”, lê-se no site de reservas turísticas. Os preços rondam os 1117€, por uma noite em novembro.

Por esse preço, qualquer pessoa consegue uma pernoita na Casa do Presidente da Villa, localizada na Estrada do Penedo, na Ajuda, em pleno parque florestal de Monsanto, e que está disponível para alojamento local, desde agosto deste ano.

Na Ajuda, em Monsanto.

Segundo a Lusa, citada pelo “DN“, a licença de utilização da residência oficial do presidente da Câmara de Lisboa é da empresa MCO II, que também gere outros espaços públicos na capital, como o Moinho do Penedo e a Quinta da Pimenteira.

A agência noticiosa adianta que já tentou contactar a Câmara Municipal de Lisboa e a empresa MCO II para obter detalhes sobre a concessão do espaço, mas ainda não obteve qualquer resposta.

Ainda segundo o jornal, esta Casa do Presidente foi onde residiu Pedro Santana Lopes quando assumiu a presidência da autarquia em 2002. António Costa, quando esteve no mesmo cargo, também a chegou a utilizar a residência. O imóvel tinha sido inaugurado em 1989 por Krus Abecassis, mas até Pedro Santana Lopes não havia sido utilizado.

Um dos quartos.

Conforme se pode ler na página de reservas do booking.com, “a Casa do Presidente está situada em Lisboa e disponibiliza uma acomodação com ar condicionado e uma piscina privada”.

“A villa disponibiliza quatro quartos, uma sala de estar, uma área de refeições e uma cozinha bem equipada com uma máquina de lavar louça. A villa também providencia uma televisão de ecrã plano, uma máquina de lavar roupa e uma casa de banho com uma banheira e um chuveiro. Todas as manhãs é servido um pequeno-almoço continental”, é também exposto.

Uma foto do presidente Marcelo.

“A villa providencia uma piscina exterior aberta durante todo o ano. Os hóspedes também podem relaxar no jardim ou no salão partilhado”, lê-se ainda.

“A Casa do Presidente dá as boas-vindas a hóspedes de Booking.com desde 30 de agosto de 2018”, é acrescentado no final.

Segundo o “JN”, o presidente da autarquia, Fernando Medina explicou, esta segunda-feira, aos jornalistas a situação, adiantando que a câmara municipal não tem qualquer residência oficial, até porque a lei não o permite, sendo que o nome de “Casa do Presidente da Villa” é apenas o nome do imóvel, mas não indica a sua função oficial. De acordo com o “DN” citando as explicações de Medina, a Casa do Presidente “há largos anos” que não é a residência do autarca da cidade e apenas ficou com o “nome histórico”.

Num comunicado da CML, a que a NiT teve acesso, a câmara reitera que “não tem qualquer casa oficial destinada ao presidente da Câmara Municipal” e que a chamada “Casa do Presidente” foi, na verdade, “construída para habitação do Diretor do Parque Florestal de Monsanto e não tem qualquer função protocolar, estatuto esse reservado aos Paços do Concelho e ao Palácio da Mitra”.

A autarquia confirma ainda que o imóvel está disponível para alojamento local e que seguiu o processo normal de concessão de exploração do edifício.

No comunicado oficial da Câmara, explica-se ainda que a adjudicação da concessão da casa, precedida de concurso público, foi a reunião de Câmara, em 12 de novembro de 2014, e envolveu a recuperação e exploração de uma parte delimitada da Quinta da Pimenteira, o Moinho do Penedo e duas casas de função, todas localizadas em Monsanto.

“O custo de reabilitação dos edifícios objeto da concessão foi de 3 milhões e 760 mil euros, a suportar integralmente pelo concessionário, ficando este sujeito ainda ao pagamento de uma renda mensal de 2600€, acrescidos de IVA, durante os 25 anos previstos no contrato. Terminado o prazo da concessão, todo o património, já reabilitado, permanecerá propriedade do Município de Lisboa, que não quis abdicar desse património.Todos estes dados são públicos e consultáveis, há vários anos, não sendo hoje conhecida nenhuma novidade”, conclui o mesmo documento da autarquia.

No entanto, o Bloco de Esquerda Lisboa já anunciou que vai pedir explicações através dos seus deputados municipais. 

O Terraço.