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A famosa (e abandonada) Quinta do Raio vai ser recuperada para uso público

Estado de degradação do imóvel também conhecido como Palácio Restani era um "atentado à história local”, diz Câmara de Oeiras.
A fachada da quinta.

As denúncias são regulares e já têm mais de três décadas. Desde 1986 que a Quinta do Raio, também conhecida como Palácio Restani, numa das ruas principais de Barcarena, Queluz de Baixo, está ao abandono. São 30 anos de decadência total, de um espaço que já terá estado associado ao Palácio de Queluz. É “um atentado à história local”, classifica o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino de Morais.

A história da Quinta do Raio não se conta em muitas páginas, nem sequer em muitos parágrafos. Os dados são poucos e a sua vida recente resume-se a histórias de decadência, ruína e pilhagens.

Segundo o blogue ruin’arte, informações recolhidas junto do arquivo do Forte de Sacavém relatam apenas que este palácio, agora abandonado, foi erguido no século XIX. Terá sido mandado construir por D. João VI para servir de residência à família do médico da Casa Real, que na altura estava instalada no Palácio de Queluz.

Teve os seus anos nobres, mas em 1908 o edifício terá sido comprado pelo pai de Alfredo Ramos da Silva, casado com uma mulher de origem italiana, com o apelido que lhe deu a alcunha: Restani. Em 1986, terá sido aprovada a urbanização do terreno, cujo alvará definia que o palácio teria de ser recuperado para unidade hoteleira — o que nunca chegou a acontecer.

A própria autarquia de Oeiras não tem muita informação disponível sobre o espaço — nem sequer conhece a origem do nome. À NiT, adianta apenas que, nos 30 anos de abandono, perdem-se conta das vezes que os serviços municipais tentaram que este seu último proprietário, um particular, interviesse no imóvel, o recuperasse e protegesse.

A fachada do edifício.

Nunca o fez. “Foram feitos vários avisos”, frisa fonte da autarquia à NiT.

Chegou a haver um projeto aprovado para a recuperação do espaço, em 2004. Mas “legalmente, nunca chegou a haver qualquer intervenção de recuperação do espaço”.

O dono terá alegado, sucessivamente, falta de meios e de fundos para fazer as obras necessárias, mas na verdade foi deixando o espaço cada vez mais ao abandono.

“O imóvel está em estado de ruína iminente, já com perda irreparável de elementos patrimoniais”, diz a autarquia.

Mais de três quartos da área coberta do edificado desapareceram. A cobertura e o primeiro piso ruíram, persistindo de pé menos de 10% da construção inicial.

As traseiras.

Da sua incrível arquitetura neoclássica já não há quase vestígios, dos frescos que teriam existido no seu interior ainda menos. Chegaram a ser visíveis móveis a olho nu, mas foi tudo pilhado.

“Tal estado de degradação consiste num atentado à história local”, acrescenta Isaltino Morais, na página oficial da câmara. O autarca sublinha o facto de o edifício constituir ”um risco para a segurança das pessoas e bens presentes no espaço com que confina”.

Felizmente, tudo deverá mudar nos próximos anos. Evitando a expropriação, o proprietário acabou por aceitar um acordo de doação do imóvel em Barcarena à Câmara Municipal de Oeiras.

Foto do Atelierap, que chegou a ter um projeto.

A doação surge pela sua assumida incapacidade em recuperar ou manter a Quinta, “faltando à obrigação legal da sua preservação”. Depois da escritura pública da doação, o palácio será recuperado. “Vamos elaborar um projeto agora, pelo que ainda não temos detalhes”, diz a comunicação de Oeiras.

A Quinta do Raio tem uma área total de terreno de 2.215,48 metros quadrados. A autarquia pretende recuperar tanto o imóvel, como estacionamento e o jardim.

Por enquanto, sobre o projeto futuro, só existe uma certeza: “Será, sem dúvida, para criar um espaço para usufruto público, dos cidadãos.”