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A curiosa história das árvores mais odiadas de Lisboa

As jacarandás podem ser lindas e capazes de alegrar as ruas de qualquer cidade. Mas sabia que elas têm piolhos, cheiram mal e libertam um líquido que nos cola ao chão?

Estão a chegar.

São originárias do Brasil e entraram em Portugal por opção do Jardim Botânico por causa da sua beleza e características particulares. Elas anunciam a primavera e o verão, e quando as folhas caem deixam um manto roxo que passou a ser conhecido por Purple Rain — como a música de Prince. Em Portugal, elas só sobrevivem em zonas abaixo de Lisboa, o seu ADN tropical não tolera mesmo o frio. Estamos a falar das lindas, famosas e fotogénicas, mas também odiosas para muitos, jacarandás. 

As folhas destas árvores enchem Lisboa todos os anos a partir de finais de abril ou maio e pintam de roxo as suas ruas até ao final do verão. Isso não é uma novidade. Mas sabia, por exemplo, que no Parque das Nações existe um Jardim de Jacarandás que está aberto durante todo o ano? E que a cidade de Pretória, na África do Sul, é chamada a cidade dos jacarandás. E que, por ser tropical, esta é uma árvore que por cá anda em contra ritmo das outras — dá as primeiras flores quando as restantes já estão cobertas? Sabia também que antigamente se bebia o líquido que sai destas flores? Pois, há muito para contar. 

As jacarandás vieram para Lisboa no início do século XIX, por ordem do Jardim Botânico da Ajuda, por serem bonitas e diferentes de tudo o que existia no País naquela altura. Quando chegaram, os botânicos tinham sérias dúvidas de que elas se adaptassem ao clima da cidade — spoiler alert, adaptaram.

Do Brasil para Lisboa.

Segundo a Câmara de Lisboa à NiT, a época de floração dos “Jacaranda mimosifolia” depende das condições meteorológicas, mas ela começa normalmente em maio ou meados de junho. Por vezes apresentam uma segunda floração em setembro, “embora seja mais raro e nunca tão exuberante como a de primavera/verão”.