NiTfm live

na cidade

Estudantes portugueses faltam às aulas em protesto pelo ambiente

Movimento está marcado para 15 de março, por cá e no resto da Europa. O objetivo é alertar para falta de ação dos governos.
Estudantes vão protestar em toda Europa contra as alterações climáticas.

Milhares de estudantes em toda a Europa estão a faltar às aulas para chamar a atenção para uma causa urgente: o impacto das alterações climáticas no planeta Terra. O assunto é tão sério que os alunos não fazem nada às escondidas. O próximo passo do movimento internacional #SchoolStrike4Climate está marcado para 15 de março, sexta-feira. Jovens de todo o continente vão reunir-se na “Greve climática estudantil” (designação assumida em Portugal). 

A partir das 10h30, as manifestações vão acontecer em dezenas de países. Por cá, há encontros marcados em cinco cidades: Lisboa, Porto, Coimbra, Braga e Funchal. O objetivo é protestar contra a falta de ação dos governos face à crise global.

“A nossa maior exigência é que o governo português cumpra e respeite as resoluções do Acordo de Paris e as metas estabelecidas pela União Europeia para a diminuição das emissões dos gases de efeito estufa”, conta à NiT Sara Lopo, que faz parte da organização portuguesa do evento.

Tem 17 anos e está no 11.º ano do ensino secundário. Ao pesquisar sobre discursos políticos para um trabalho da aula de português, deparou-se com a apresentação da estudante Greta Thunberg, de 16 anos, na Cimeira do Clima das Nações Unidas, na Polónia, em dezembro de 2018.

A ativista sueca atraiu atenção e inspirou alunos do mundo todo ao participar no Fórum Económico Mundial, em Davos, em janeiro último. Além de confrontar os líderes económicos e empresários com o problema do aquecimento global, pediu greves escolares para aumentar a consciencialização sobre o assunto.

Apesar da pouca idade, Greta está a tornar-se a voz de uma geração. Desde as férias de agosto de 2018, por altura das eleições na Suécia, decidiu sentar-se todos os dias nas escadas do Parlamento em Estocolmo em protesto contra a letargia dos políticos em relação às alterações climáticas.

Com o regresso às aulas, continuou a fazê-lo de forma simbólica sempre às sextas-feiras. De lá para cá, passaram-se mais de 20 semanas.

Greta, a estudante que é a voz de uma geração.

Durante o mês de janeiro, milhares de jovens seguiram os passos de Greta e abandonaram as escolas para participar em manifestações pela Europa. Na Alemanha, foram às ruas também às sextas-feiras. A organização dos encontros foi feita através de trocas de mensagens pelo WhatsApp. 

Na Bélgica, organizaram-se pelo Facebook e deixaram as escolas em quatro quintas-feiras consecutivas. Em França, poucos estudantes protestaram, mas uma petição online para exigir ações mais convictas do governo reuniu mais de 2,1 milhões de assinaturas.

“Aqui em Portugal também queremos levantar a bandeira contra o uso indiscriminado de plásticos. É preciso ter opções mais sustentáveis disponíveis para o consumidor. Não podemos ter plásticos sempre à mão. A poluição por plásticos nos oceanos é um perigo para todas as espécies”, diz Sara Lopo.

Sara sempre quis seguir ser médica mas agora está a pensar seguir Nutrição. Vegetariana há alguns meses, a jovem pensa cada vez mais no impacto do consumo de proteína animal no ambiente e acredita que diminuir o consumo de carne “é uma questão de ética”.

Para consciencializar os estudantes sobre a importância de preservar o Meio Ambiente, a organização portuguesa realiza palestras em escolas. O dirigente da Climáximo, João Camargo, é um dos ativistas que conversam com os jovens sobre o assunto.

“Em algumas escolas particulares não é permitido divulgar o evento e os alunos reúnem-se nos cafés mais próximos. Em escolas públicas, o diálogo é melhor. Na minha escola, por exemplo, a Secundária de Santa Maria, em Sintra, podemos pendurar cartazes”

Em Lisboa, a manifestação de 15 de março está marcada para o Largo Camões. O objetivo é marchar até à Assembleia da República.

Em Coimbra e no Porto, a concentração decorre perto das respetivas câmaras municipais. Em Faro, a marcha desce o relvado do Fórum até à Câmara e, em Braga, começa na Praça da República e vai até à Avenida Central.

Apesar de tudo, Portugal está a tomar medidas para acabar com palhinhas, garrafas e sacos de plástico até 2020. Saiba exatamente que alterações estão previstas.