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Edifícios abandonados: as imagens impressionantes do antigo hospital psiquiátrico de Paredes de Coura

Começou por ser um sanatório, perto do final foi transformado numa pocilga. Está esquecido desde 2002.

Começou por ser um sanatório, perto do final foi transformado numa pocilga. Está esquecido desde 2002

Numa encosta a 400 metros de altitude na freguesia de Mozelos, há um edifício que parece ter ficado perdido no tempo. Começou por ser um sanatório, depois foi reconvertido em hospital psiquiátrico, mais tarde transformou-se literalmente numa pocilga. 14 anos depois, restam apenas vidros partidos, móveis esquecidos, montanhas de entulho e macas nos corredores.

Foi um dos maiores e melhores hospitais do norte de Portugal. Quando abriu, a 16 de setembro de 1934, o Sanatório Marechal Carmona, assim se chamava na altura, foi inaugurado com toda a pompa e circunstância. “Houve discursos inflamados, vibrantes, cheios de fé e patriotismo”, escreveu o jornal “O Courense”, publicado a 30 de setembro desse ano.

Já o “Gazeta dos Caminhos de Ferro” escrevia, a 1 de outubro de 1934: “[…] Está erigido o mais recente baluarte para a defesa dos males que a medicina combate com firme decisăo e ampla conscięncia dos seus aperfeiçoados conhecimentos técnicos.”

Quando abriu, o Sanatório Presidente Carmona tinha um único pavilhăo com capacidade para 40 doentes. O jornal teve um enviado especial a visitar o edifício, que adiantou vários pormenores sobre as instalaçőes: “[…] Vimos que as camaratas dos doentes eram arejadas e bem dispostas; que havia lavabos para cada um, e, junto deles, em prateleiras, caixas destinadas a guardar os objetos usuais de limpeza e higiene, tais como pentes, escovas para os dentes, etc..”

Continua: “Cinco casas de banhos de limpeza e outra para duches, retretes, separadas, amplas […] uma larga galeria de cura e repouso, voltada ao nascente, onde se fixam as quarenta cadeiras-cama e de onde se goza uma vista deliciosa.” Mais ŕ frente, o jornalista realçava ainda o material “do melhor”. “Azulejos de excelente fabrico nacional e madeiras do Brasil completam agradavelmente o aspeto geral dessa importante obra que, mais do que a qualquer outro fator se fica a dever ŕ ditadura.”

[A Unidade Local de Saúde do Alto Minho] decidiu celebrar um protocolo com um produtor que, a troco de lá poder guardar alguns animais

Em 1955, o número de doentes no Sanatório Presidente Carmona subiu para 70. Em 1962, já chegava aos 200. Foram tempos prósperos os que se viveram neste local. Porém, o seu fim estava próximo. Nos anos 90, e ŕ semelhança do que aconteceu um pouco por todo o País, a evoluçăo da Medicina ditou o encerramento do sanatório.

Ainda assim, isso năo significou o fim do espaço, que foi de imediato reconvertido em hospital psiquiátrico. Pouco se sabe sobre o que se passou nos anos seguintes. Em 2002, o edifício fechou definitivamente.

Em 2008, o proprietário do espaço, o Centro Hospitalar do Alto Minho, anunciou que queria vendę-lo. Na altura falou-se na possibilidade de um grupo espanhol transformar o local num campo de golfe de montanha, num investimento que deveria rondar os 50 milhőes de euros, mas o projeto năo foi para a frente.

Dois anos depois, os meios de comunicaçăo locais avançaram que o local tinha sido transformado numa pocilga.

“[A Unidade Local de Saúde do Alto Minho] decidiu celebrar um protocolo com um produtor que, a troco de lá poder guardar alguns animais, garantiria a limpeza do espaço envolvente”, escreveu a estaçăo de rádio Geice. “Mas o certo é que a Câmara Municipal decidiu ver o que lá se passava e, já por duas vezes, foi confrontada com a existęncia de animais mortos dentro do edifício.”

Nos anos seguintes, a situaçăo năo melhorou. Em 2012, tręs homens foram apanhados pela GNR a assaltar o antigo sanatório, que já havia sido alvo de furtos e atos de vandalismo. Segundo fonte da GNR ao “Jornal de Notícias”, os homens foram apanhados na posse de “diverso material de corte de ferro e outras ferramentas que estavam a ser utilizadas na prática do furto”.

Apesar de ter sido saqueado e vandalizado, o antigo hospital psiquiátrico de Paredes de Coura ainda preserva muitos objetos que contam a história de outros tempos. Peças de roupa, calçado, garrafas de água e frascos de medicamentos confundem-se com o entulho, vidros partidos e macas perdidas nos corredores.

Recorde os artigos sobre o Palácio da Comenda, Aquaparque, Restaurante Panorâmico, Hotel Foz da Sertă, Sanatórios do Caramulo, Águas de Radium, Presídio da Trafaria, Pavilhăo Carlos Lopes, Mosteiro de Seiça, Escola Secundária Afonso Domingues, Palácio de D. Chica, Quinta das Águias e a RARET, todos abandonados.

Carregue na imagem acima para ver as fotos de Paulo Santos, da página Lugares Abandonados e autor do projeto Pr0j3ct URBEX.