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Crítica: Tive uma aula de ioga no edifício mais alto de Lisboa

A viagem de elevador é imprópria para cardíacos, mas a vista, o spa e o brunch compensam qualquer risco para a saúde.

Tenho um problema com vertigens. Não vou ser simpática e acrescentar o adjetivo “pequeno”, ou o mais simpático diminutivo “pequenino” porque, de facto, nem pequeno nem pequenino: odeio alturas e acho sempre que vou morrer. Admito sem vergonha (ok, admito com alguma vergonha) que tenho ataques de pânico em viadutos pedonais, que evito olhar para o chão a partir de casa (moro num quarto andar) e que a roda gigante da Feira Popular foi uma das experiências mais aterradoras da minha vida.

Por tudo isto, e por mais umas quantas histórias embaraçosas que prefiro guardar para mim, assim que estacionei o carro em frente do hotel Myriad, no Parque das Nações, percebi que se calhar não tinha pensado bem no que me estava a meter. Dentro de meia-hora, tinha de estar lá em cima, no cume da Torre Vasco da Gama, para experimentar o novo programa do hotel de cinco estrelas, o Wellness Brunch. Sim, lá em cima: naquela sala redonda, a 143 metros de altura, bem no topo do edifício mais alto de Lisboa.

A convite do Myriad, a NiT foi experimentar este sábado, 12 de março, o Wellness Brunch, o novo programa do hotel. O pacote inclui uma aula de ioga no topo da Torre Vasco da Gama – que, apesar da altura, é um dos locais mais exclusivos da cidade, abrindo em raras ocasiões –, acesso ao spa do hotel durante duas horas (a piscina interior no 23.º andar e os baloiços com vista para o rio fazem com que o tempo passe demasiado depressa) e um brunch maravilhoso preparado pelo chef Frederic Breitenbucher – onde há ostras, sushi e sobremesas à discrição.

Tudo isto me parecia ótimo. Só não tinha pensado bem na altura do edifício. Por uns momentos, por uns breves momentos, quase senti saudades do Elevador do Castelo – que sim, também é uma experiência aterradora para mim, mas infelizmente é um caminho por onde passo muitas vezes ao pé da redação da NiT.

Vou acabar com o suspense: não foi uma viagem fácil. Assim que entrei no elevador, colei os olhos no telemóvel e fingi-me muito interessada em fazer scroll no Instagram – mentira, não me lembro de nada do que vi. No início consegui manter-me calma. Quando a parede desapareceu, porém, e o elevador foi invadido pela luz do sol e por interjeições dos passageiros como “oh!”, “ah!” e “uau!”, fechei os olhos e agarrei o braço do meu namorado.

Não posso descrever-vos o cenário porque, bem, basicamente não vi nada. Mas segundo o que ele me disse mais tarde – nestas ocasiões vale sempre a pena levar uma companhia destemida –, foi como se tivéssemos descolado num foguetão em direção ao céu. Ele diz que pensou imediatamente na música “RocketMan”, do Elton John. Eu digo que mal podia esperar para sair dali para fora.

Até mesmo uma cobardolas como eu tem de admitir: a vista é simplesmente incrível. A sala é envidraçada e tem vista panorâmica para o rio Tejo, para Lisboa e um bocadinho mais além. No horizonte, descobri montanhas que nunca tinha visto até então (lá em baixo não dá para ver), olhei para o Parque das Nações de uma perspetiva única e sim, vou ser um bocadinho lamechas agora, voltei a apaixonar-me outra vez pela minha cidade. Pelo menos uma vez na vida, vale a pena subir até ao topo da torre: é, sem sombra de dúvida, o miradouro mais maravilhoso de Lisboa.

Se como eu nunca tiver feito uma aula de ioga, não se preocupe: o Vasco Clamote é um amor e não lhe vai pedir que coloque o pé atrás do pescoço

A partir de março e até novembro, nos últimos sábados de cada mês o programa começa da mesma forma: às 9h30, um instrutor do Centro de Yoga Áshrama Vasco da Gama dá as boas vindas aos visitantes e começa a aula de ioga. Se como eu nunca tiver feito uma aula de ioga, não se preocupe: o Vasco Clamote é um amor e não lhe vai pedir que coloque o pé atrás do pescoço. Os exercícios são sobretudo respiratórios e de alongamento, e a única coisa que ele lhe pede é que dê o seu melhor. Se não conseguir fazer uma posição, não há problema. Só tem de dar o seu melhor.

Não dei o meu melhor. Pelo menos não nos primeiros vinte minutos da aula, quando ainda tinha a viagem de elevador fresca na minha memória e a certeza que o chão iria partir a qualquer momento. Imaginei-me várias vezes em queda livre durante os mais de 140 metros de altura, admito. Mais tarde ou mais cedo, porém, o sol a entrar pela janela, a vista sobre o rio e a voz calma do Vasco acabaram por me acalmar. Para o final do exercício, já estava calma — não tanto como o meu namorado, que quase adormeceu na fase de relaxamento, mas mais calma.

A segunda parte do programa Wellness Brunch passa por usufruir do spa do Myriad durante duas horas. Descemos três metros – o spa fica no 23.º andar do hotel, a 140 metros de altura –, mas felizmente aqui já não dá para sentir vertigens. A piscina interior é espetacular, com vista para o rio Tejo. Conselho: aproveite a coluna de hidromassagem e desfrute dos (violentos) jatos de água a fazerem pressão sobre o seu corpo. Quando ficar farto, siga pelo corredor, vire à direita para o banho turco, depois à esquerda para a sauna, volte tudo para trás e sente-se num dos baloiços em forma de ovo a olhar para o rio. Depois repita tudo novamente.

A terceira e última parte do programa é a mais deliciosa: o brunch. Ah, o brunch. Tudo é maravilhoso quando falamos de comida no Myriad – até o pão parece que tem outro sabor. Vá com fome, porque as nossas sugestões não são à prova de dieta. Comece pelo sushi — o sashimi de salmão e os nigiris eram divinais –, siga para as chamuças verdes (não são corantes, a cor deve-se ao facto da massa levar ervilhas), perca-se nas ostras da Ria Formosa e encha o prato de bolinhas de polvo. Depois ainda tem saladas, massas e queijos que nunca mais acabam, pratos quentes de carne e de peixe, bacon, salsichas, cogumelos. Quanto aos ovos, é só pedir que são feitos no momento — fritos, estrelados, Benedict, no sábado quem manda é o leitor.

Já terminámos? Não, falta a melhor parte: as sobremesas. Os gelados são feitos pelo próprio hotel, e são incríveis – o de lavanda era o melhor. Também tem o arroz doce, uma especialidade da casa, brownie de chocolate e um mini bolo de requeijão que eu juro por tudo que era o céu na terra. Para terminar, não tenha vergonha de seguir até à seção das crianças. É lá que estão as panquecas, que pode encher de Nutella, marshmallows e pintarolas. Eu fiquei-me pela Nutella – mas só porque estava em trabalho.

O Wellness Brunch custa 65€ por pessoa e decorre entre as 9h30 e as 15h30 do último sábado de cada mês até novembro. As reservas são obrigatórias e devem ser feitas através do número de telefone 211 107 690 ou do email myriad@nullsayannawellness.com. A estreia do programa acontece a 26 de março e ainda há lugares – embora o melhor é não perder muito mais tempo, uma vez que o limite são 12 pessoas por dia.

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