Estes são os filmes que queremos ver este ano

Fechadas as contas do ano passado, chegou a hora de olhar em frente – bem em frente – e tentar perceber o que vai valer a pena nos cinemas em 2018.

Rami Malek, o Mr. Robot, é Freddie Mercury.

Isto tem pouco de futurologia, já que a grande maioria dos filmes com estreia garantida nas salas de cinema são aqueles com distribuição assegurada, antes mesmo de estarem completos. E, conforme explicado num texto anterior, os grandes estúdios não estão realmente interessados em filmes arriscados, pelo que 90% desta lista será mais do mesmo.

São os blockbusters que precisam de um ano de pós-produção para cuidar dos efeitos especiais, os crowd pleasers com grandes estrelas de Hollywood, as sequelas, os remakes e os próximos-projetos-dos-habituais. E ainda a categoria com maior potencial para nos surpreender, a de próximos-projetos-de-realizadores-promissores.

Decidi não mencionar filmes que já saíram nos EUA, mas com lançamento agendado para 2018 em Portugal, porque já se sabe o que esperar desses. Sim, o “Lady Bird: A Hora de Voar” de Greta Gerwig vai ser muito bom, e o “Linha Fantasma” de Paul Thomas Anderson também. Mas não entram nestas contas.

No final do ano vamos poder olhar para trás e perceber que não se mencionou aqui alguns dos melhores ou mais controversos filmes, como acontece todos os anos. Esses são os inesperados, as obras independentes ou produzidas fora de Hollywood (diga-se, resto do mundo), que arranjam maneira de entrar na festa às escondidas. E ainda bem que assim é, porque se o cinema se limitasse ao previsível, seria um 2018 bem aborrecido. Vamos lá, então.

Os Super-Heróis

Depois do maior ano de sempre no género, 2018 tem que se esforçar para manter os números lá em cima. E se há filme capaz de garantir sucesso financeiro, é o muito aguardado “Vingadores: Guerra Infinita”. É a primeira metade do épico intergalático que a Marvel prepara há dez anos, e o fim anunciado para muitos dos atores envolvidos nestes filmes, como Robert Downey Jr. ou Chris Evans.

Além desse blockbuster-em-esteróides, vamos ter o “Aquaman“, com Jason Momoa e realizado por James Wan (“The Conjuring – A Invocação”), a sequela de “Deadpool” com Ryan Reynolds a repetir o papel, um novo filme dos mutantes do costume chamado “X-Men: Dark Phoenix” e um outro com novos mutantes chamado…”Novos Mutantes“.

Vamos ter também um filme de animação com o Homem-Aranha (sem Peter Parker, mas com o seu substituto dos comics, Miles Morales), uma sequela promissora em “O Homem-Formiga e Vespa”, com Paul Rudd e Evangeline Lilly, e uma grande incógnita que é “Venom“, com Tom Hardy. Por último, Brad Bird vai realizar “The Incredibles 2: Os Super-Heróis”, a continuação do primeiro (e óptimo) filme de animação que saiu em 2004.

 

As Sequelas

São muitas, das quais se destaca o “Mundo Jurássico: Reino Caído”, com o regresso de Chris Pratt e Bryce Dallas Howard, a continuação de “Batalha no Pacífico“, agora com John Boyega (o Finn dos novos “Star Wars”) no elenco, uma nova “Missão: Impossível” (será o sexto da saga) e um novo filme passado no universo de “Nome de Código: Cloverfield”, produzido novamente por J.J. Abrams e ainda sem título definitivo.

Vamos ter “Sicario 2: Soldado“, que perdeu o grande Denis Villeneuve mas manteve o guionista Taylor Sheridan, a continuação da história de Rocky Balboa e do seu protegido em “Creed 2” e o regresso ao mundo de Harry Potter com “Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”, que tem a infelicidade de voltar a contar com o ator mais irritante do mundo. E sim, o “ator mais irritante do mundo” é mesmo Eddie Redmayne, podem atirar os tomates podres que quiserem que isso não o torna melhor.

Os Remakes

Este 2018, felizmente, não parece tão saturado de remakes desnecessários quanto outros anos. Ainda assim, acharam por bem prendar-nos com uma versão norte-americana de “Amigos Improváveis”, o filme francês que tanto sucesso teve em 2011, uma nova Lara Croft em “Tomb Raider: O Começo” e até uma nova “Mary Poppins”, agora interpretada por Emily Blunt.

Mas até há boas notícias neste campo, porque o novo “Halloween” pode – e tem de – superar o esforço de Rob Zombie, agora com realização de David Gordon Green, e a bênção de John Carpenter (que bem devia ajudar com a banda sonora). Vamos ter uma reinvenção de género com “Ocean’s 8″, agora interpretado só por mulheres, e um novo “Predador”, realizado por Shane Black.

O mais esperado destes todos foi também o mais atribulado: “Solo: Uma História Star Wars”, que só entra na lista como remake por se atrever a colocar Alden Ehrenreich nos sapatinhos de Harrison Ford. O filme da Disney trocou de realizadores a meio da produção e deu azo a todo o tipo de rumores durante 2017. É uma incógnita, resta-nos torcer pelo melhor.

…E o Resto

Steven Spielberg lidera a corrida com o muito antecipado “Ready Player One; Jogador 1″, que adapta o livro de ficção científica escrito por Ernest Cline. Há um novo filme de Wes Anderson, que volta a apostar em stop-motion com “Ilha dos Cães“, e de Steve McQueen, que sucede o aclamado “12 Anos Escravo” com “Widows“, um thriller sobre um assalto levado a cabo por quatro viúvas que entram no mundo do crime (baseado num livro de Gillian Flynn, de “Em Parte Incerta”).

Já Damien Chazelle (“Whiplash – Nos Limites” e “La La Land”) continua a sua lua de mel com a Academia, com o lançamento de “First Man“, um biopic sobre o astronauta Neil Armstrong com Ryan Gosling, e o realizador Alex Garland, responsável pelo fantástico “Ex Machina”, regressa à ficção científica com “Aniquilação“, que estreia em Portugal já no próximo dia 22 de Fevereiro. Rooney Mara vai fazer de “Maria Madalena“, Oprah Winfrey dá ares da sua graça num blockbuster da Disney com “Uma Viagem no Tempo” e Daisy Ridley faz uma pausa de Star Wars para interpretar “Ophelia“.

 Jake Gyllenhaal e Benedict Cumberbatch vão passar um mau bocado em “Rio“, de Luca Guadagnino, Liam Neeson vai estar metido em novas embrulhadas em “The Commuter – O Passageiro“, e Christian Bale engordou uns valentes quilos para interpretar o político Dick Cheney. Há um promissor filme de terror em “Um Lugar Silencioso”, interpretado e realizado por John Krasinsky.

Já o realizador francês Jacques Audiard, que nos deu o espectacular “Um Profeta” em 2009, vai dirigir Joaquin Phoenix, John C.Reilly, Rutger Hauer e Jake Gyllenhaal em “Os Irmãos Sisters“. Last, but not least, espera-se que o biopic de Freddy Mercury tenha estreia no final do ano. Um ano e pêras, portanto.