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opinião

“Rocketman”: eu acho que vai ser um bom, bom filme

O que podemos esperar do projeto sobre a vida e carreira de Elton John.
Taron Egerton é Elton John, aqui num CGI do Dodger Stadium em 1975

Está quase a chegar “Rocketman”, o filme sobre a vida e carreira de Elton John. Os trailers já andam aí e deixam muitas indicações positivas. A história do Captain Fantastic tem um potencial cinemático gigante, ou não fosse uma das histórias mais selvagens saídas dos loucos anos 70. Espero que esse potencial seja aproveitado.

A expetativa geral é que “Rocketman” — que estreia em Portugal a 13 de junho — seja o “Bohemian Rhapsody” de 2019, pelo menos no que ao sucesso diz respeito. E, de facto, há muitos paralelismos entre os dois filmes. Começando logo pelo realizador — Dexter Fletcher foi o mesmo que assinou “Bohemian Rhapsody”, embora tenha substituído Bryan Singer (afastado devido a acusações de pedofilia) já no fim do projeto. Curiosamente, também em “Rocketman”, Fletcher aparece para terminar o trabalho de um outro realizador – Michael Gracey, que saiu há um ano do filme. Como é óbvio, o sucesso de “Bohemian Rhapsody” leva a que a equipa de Elton tenha esperanças que o mesmo frenesim possa ser replicado com “Rocketman”. Eu, pela minha parte, espero que seja muito melhor. Neste momento, do que já sabemos do filme, há bons e maus indicadores. E os maus são precisamente aqueles que o aproximam de “Bohemian Rhapsody”.

Embora a presença de Fletcher no comando do projeto não augure grande coisa, eu mantenho-me positivo para “Rocketman”. Espero que seja um filme bem diferente. Confio em Elton John para contar a história como ela foi, suja, sem filtros nem disneyficações. Confio mais nele do que, por exemplo, no nosso astrofísico favorito, o Dr Brian May – que, como sabemos, gosta de tudo muito limpinho. Um bom presságio disto mesmo é saber à partida que o filme será R-Rated “devido a cenas de sexo e drogas” e por isso deverá chegar às nossas televisões com bolinha vermelha. Se é para contar a história, é para contar a história com os detalhes sórdidos. Vamos a isso.

Por outro lado, o filme está a ser publicitado como “uma fantasia baseada numa histórica verídica”. Isto é uma jogada brilhante de Elton (e aqui sublinho que Elton John é um homem muito, muito inteligente) que lhe dá liberdade automática para mexer com os factos a seu bel-prazer na estrutura do filme, trocando eventos cronologicamente, sem que mais tarde corra o risco de ser chamado à atenção pelos fãs (como eu), sempre atentos aos detalhes históricos. Não que ele precise de mexer muito, uma vez que a história real de Elton desenrolou-se como se de um drama do fantástico se tratasse. Outra maneira de ver este disclaimer é a total isenção de responsabilidade no que quer que seja retratado no filme. Isto é, Elton não tem que dar explicações sobre aqueles detalhes sórdidos que aparecerão, uma vez que podem, eventualmente, fazer parte da fantasia. Boa. Elton já avisou que o filme não será um biopic, por isso pode sempre dizer que o que vimos no ecrã não corresponde necessariamente ao que acontece.

Outro bom presságio é a escolha do ator. Taron Egerton é um fã de facto de Elton John e é ele quem vai cantar as canções. E que vozeirão tem ele. Como fã desde pequeno, Egeton estudou a música, estudou os trejeitos e estudou a persona de Elton desde sempre. É como se tivesse preparado o papel há toda uma vida. Será assim muito mais natural transportar o verdadeiro Elton para o ecrã. Não só aquele que vemos no palco, mas também aquele que vemos por trás das cortinas. Isto obviamente em oposição a Rami Malek, que estudou Freddie durante uns meses e acabou por fazer uma representação de um meme com a profundidade de um fontanário, tendo ganho o Óscar à custa do trabalho de um dentista.