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opiniao

“Rambo, A Última Batalha”: Juanito, pára lá com isso

A queda vertiginosa de um herói dos anos 80 dá vergonha alheia, num filme sem método, sem guião, sem nada.
Não convenceu.
30

Pela rama, tudo pela rama. O guião, as representações, a acção. É tudo simples, demasiado simples. Básico até. Básico até para os padrões do Rambo, cujo primeiro filme, atenção, é do best. Aquele de 1982, em que Rambo refugia-se na floresta para fugir mos maus tratos da polícia local da cidade chamada Hope (Esperança). Os anos passam e as histórias dos três Rambos seguintes diminuem de interesse, intensidade e emoção. Passa a ser formatado, demasiado formatado. E eis-nos no fim da linha, no Rambo V, falado pelo próprio Stallone desde 2008 – em 2010, é até divulgado o primeiro poster durante o festival de cinema em Cannes.

O filme é preguiçoso e tudo acontece aos repentes, sem elos de ligação nem densidade emocional. John Rambo (Stallone) vive no rancho do pai em Bowie, no Arizona, acompanhado pela velha amiga Maria (Adriana Berraza) e respectiva neta Gabriela (Yvette Monreal). Antes de entrar na faculdade, Gabriela recebe a notícia de uma amiga tricky (Gizelle = Fenessa Pineda) sobre paradeiro do seu pai, algures no México. A novidade é-nos dada sem emoção. E a sua decisão de ir de carro para o México? Mais do mesmo, zero sentimento. Como se fosse ali comprar um gelado. No quadradinho seguinte, entra no México. No outro, já está num bairro pobre, sujo e problemático. No outro, já está a bater à porta do pai. A própria conversa entre os dois é burocrática, insossa. Segue-se a noite de copos, não mais de um minuto. E, de repente, tauuuuuu, já está numa cave com outras raparigas novíssimas, prontas para exercer a profissão mais antiga do mundo com o todo o tipo de cliente, polícia incluídos.

Rambo toma conhecimento do desaparecimento abrupto de Gabriela e lança-se, também ele, de cabeça para o México. Veja bem, os inimigos de Rambo nascem de acordo com os tempos: norte-vietnamitas, afegãos, soviéticos e agora, vá lá imaginar-se porquê, mexicanos. Os donos do cartel de prostituição são os irmãos Martínez. Há o Hugo (Sergio Peris-Mencheta), o boss, e o há o Víctor (Óscar Jaenada), o vice-boss. Os dois encaram-se bastante, discutem trinta por uma linha. Irmãos de sangue, só. De resto, inimigos à força toda. É a vertigem do poder. Que Rambo conhece na primeira pessoa. Apanha um tareão daqueles, depois de ser apelidado de Juanito, e é salvo por uma jornalista independente (isto deveria ser um pleonamo, enfim) chamada Carmen (Paz Vega). Recomposto, vai novamente à luta e rebenta com tudo. Para variar. Só que este rebentar é, lá está, preguiçoso, demasiado rápido e com requintes desnecessários de malvadez. A parte do coração, então. Por favor, o coração na mão é uma imagem do Indiana Jones. Não tentem fazer isto em casa – ou de trazer por casa. Tsss tsss

Moral da história, é a morte do artista. Dos artistas. Não se salva ninguém. Literal e metaforicamente. Rambo, descansa em paz.