À Procura do Pior Filme de Sempre: “Os Hobgoblins”

A vida é curta, este filme é longo. Uma excruciante hora e 31 minutos que nunca mais voltarão.

Sim, eles conduzem.

O jogo grande desta jornada foi Eu VS “Os Hobgoblins”, mais um candidato a Pior Filme de Sempre. Consegui acabar de ver o filme, o que me dá a vitória moral no derby. Mas não fiquei em bom estado depois da luta, porque “Os Hobgoblins” é uma experiência excruciante que representa uma hora e trinta e um minutos que nunca mais vão voltar. A vida é curta, este filme é longo.

“Os Hobgoblins” é um engano, que rouba alegremente filmes mais bem sucedidos, como o “Gremlins” (1984) ou “Critters – Seres do Espaço” (1986). A história começa com um segurança idoso chamado McCreedy e o seu jovem parceiro, que trabalham num estúdio de cinema abandonado. Quando fazem a ronda pelo edifício vazio — que parece resumir-se a um corredor e escadas — o rapaz ignora as instruções do mais velho e entra numa caixa forte. Lá dentro, ele imagina que está a dar um concerto (sem banda, nem audiência, porque neste filme até as fantasias estão limitadas). E depois morre.

Mais tarde, o patrão do estúdio abandonado (possivelmente o trabalho mais fácil do mundo) dá um sermão a McCreedy por ter desaparecido mais um segurança, como se fosse um pai a ralhar com uma criança que não sabe tomar conta de peixinhos dourados.

O segredo daquele lugar é que existem criaturas lá dentro que realizam a fantasia de qualquer pessoa que esteja por perto, com o senão de assassinarem essa pessoa no final. É-nos explicado que eles vieram do espaço há anos, numa espécie de lata em forma de “OVNI mais pequeno do mundo”.

Aparece um novo segurança, um jovem genérico chamado Kevin cuja única característica é ser um pouco cobarde. Os Hobgoblins fogem então do estúdio — sem razão lógica, porque bastava fechar a porcaria da porta da caixa cofre para evitar o desastre e este filme — e Kevin persegue-os até sua casa. Ou casa de alguém, nunca é explicado. Há uma série de tropelias na sala de estar com os seus amigos-genéricos que incluem a “namorada atadinha”, o “amigo que nunca esteve com uma rapariga”, a “rapariga libertina” e o seu namorado “rapaz atlético acabado de sair da tropa”.

A namorada de Kevin cai sob o feitiço dos Hobgoblins e foge para um bar manhoso onde faz um striptease porque, enfim, era essa a sua fantasia. Há aí uma bulha entre a pandilha e as criaturas e estas acabam por fugir de volta para o cofre forte do estúdio. Que depois explode. Porque o velho segurança McCreedy tinha explosivos guardados para uma ocasião especial. Fim.

O orçamento era tão baixo que apenas um dos bonecos mexia a boca, segundo o realizador Rick Sloane.

A primeira pergunta que se impõe é “o que há de errado com este filme?”. E é legítima. Apesar de ter sido produzido por apenas 15.000 dólares, isso não explica “Os Hobgoblins” e não desculpa os péssimos atores nem os diálogos estúpidos que lhes foram entregues. A produção é tão má que me leva a perguntar se os quinze mil dólares foram aspirados pelo nariz do realizador.

Os cenários são tão pobres quanto o Oliver Twist e todo o filme foi filmado sem qualquer tipo de autorização, em apenas uma semana. Veja-se o cenário “casa-de-alguém”, onde se passa um terço do filme: é toda branca sem um único adereço que possa levar o espectador a pensar que ali poderia viver um ser humano. Porque não usar a casa de alguém da equipa? É uma pergunta sem resposta.

O argumento de “Os Hobgoblins” é uma reinterpretação embriagada do pior episódio do Scooby-Doo. Todo o elenco deve ter sido rapinado ao grupo de teatro amador local e os efeitos especiais são tão rascas que devem ter sido perigosos para os atores. E ainda nem falei dos bichos, que competem com os do “Troll 2” pelo prémio de “Pior Criatura em Filme”. São fantoches inexpressivos, que se limitam a abanar na maior parte do tempo. Isto porque, reza a lenda, foram operados por uma senhora que tinha acabado de sair de um hospital psiquiátrico.

O realizador Rick Sloane relata a situação com delicadeza: “Acho que a medicação a deixou atordoada, então tudo o que conseguia fazer era sacudir os bonecos”. Sloane é uma personagem semelhante a Tommy Wiseau (“The Room“), que dedicou a sua vida a escrever, produzir e realizar os seus próprios filmes. Mas, ao contrário de Wiseau, Rick Sloane tem noção da realidade e sabe que os seus filmes são muito maus. Infelizmente, essa presença de noção aqui prejudica-o: “Os Hobgoblins” perde graça quando tenta ser um filme engraçado e isso afasta-o da magia de “Troll 2” e “Birdemic”.

Há momentos fascinantes, como a luta menos tensa de sempre, ou a primeira aparição das criaturas, que me fez rir durante um minuto inteiro. Mesmo assim, neste campeonato do Pior Filme de Sempre, “Os Hobgoblins” limitam-se a lutar pela manutenção.

Rick Sloane, com um dos seus Gremlins Fajutos.

A grande lista dos Piores Filmes de Sempre

Crime
Terra: Campo de Batalha
The Room
Emoji: O Filme
Batman e Robin
Troll 2
Birdemic
Manos: As Mãos do Destino
O Meu Amigo Mac
Alone in the Dark – Perdidos no Escuro
Plan 9 From Outer Space