À Procura do Pior Filme de Sempre: “O Meu Amigo Mac”

Como a Marbelo para a Marlboro ou os óculos Rey-Bar para a Ray-Ban, também o “E.T. – O Extraterrestre” teve direito a uma versão marca branca.

Parece mentira mas é verdade.

Esta semana, na minha procura pelo Pior Filme de Sempre, vi o equivalente cinematográfico da Dolce & Banana: “O Meu Amigo Mac” (1988), de Stewart Rafill, um filme que mereceu como poucos um rotundo falhanço de bilheteira. E até acrescento: se esta comédia familiar tivesse feito bom dinheiro, talvez vivêssemos num mundo diferente. Para pior.

Estávamos em meados dos anos oitenta quando o produtor R.J. Lewis teve uma ideia espetacular: fazer um novo “E.T. – O Extraterrestre“, usando a marca e dinheiro da MacDonalds, que dominava o mercado da fast-food. Porque não juntar os dois mundos? Ignorando as muitas respostas possíveis – todas elas boas razões para explicar o porquê de não se dever fazer esta mistura profana – R.J. Lewis tratou de arranjar uma equipa e dinheiro para produzir o filme. E, para seu crédito, conseguiu convencer muito boa gente. A MacDonalds cedeu os direitos de imagem e financiou indiretamente o projeto, ajudando também a trazer outras marcas para aquilo a que se chamou “The Mac and Me Joint Venture”. A ideia seria que essas marcas (MacDonalds, Coca-Cola, Skittles e as lojas Sears) iriam ter retorno em visibilidade e que metade das receitas de bilheteira iriam para a Fundação Ronald MacDonald. Em termos técnicos, também pareciam estar bem servidos, com uma lista respeitável de pessoas que trabalharam no “Karate Kid – Momento da Verdade“, “Blade Runner – Perigo Iminente”, “Regresso ao Futuro” ou “Os Goonies“. Infelizmente, no meio disto, não conseguiu a pessoa que teria feito a diferença: um verdadeiro amigo que lhe dissesse para esquecer tudo e partir para outra. Porque o resultado foi um dos piores filmes de sempre, que ostenta hoje uns respeitáveis 3,4 no IMDb e 0% no site Rotten Tomatoes.

“O Meu Amigo Mac” conta a história de uma família de extraterrestres que é inadvertidamente raptada por um aspirador de uma sonda espacial. Depois de serem sugados por um tubo, são trazidos para o nosso planeta e acabam por separar-se. O pequeno Mac encontra refúgio com uma família, enquanto que os outros ficam ali a andar no deserto durante dois terços do filme. A família de humanos é composta por uma mãe solteira, um filho mais velho e outro mais novo, chamado Eric Cruise, que está numa cadeira de rodas. E não vale a pena explicar mais da história, tão parecida à do “E.T. – O Extraterrestre” que roça o plágio. Por exemplo, o MAC, acrónimo em inglês para “criatura misteriosa alienígena” (e também um naming desavergonhado da MacDonalds), também faz coisas mágicas com o dedo, como dar eletricidade a eletrodomésticos e apontar para coisas. E o resto do guião é aquilo que Spielberg já tinha feito: Há amigos que se juntam à demanda de devolver Mac à família, há agentes governamentais que os perseguem, há um drama com o protagonista e, no final, os extraterrestres vestem roupas formais e ganham nacionalidade estadunidense numa cerimónia oficial.

E juram fidelidade à bandeira. É talvez pior do que parece.
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