OPINIÃO

Top 10: os momentos em que Freddie Mercury foi o Rei

O Maior dos maiores, o Rei dos reis, o Deus dos deuses (e acho que já esgotei as hipérboles) fez anos.

Queen e Maradona –quando os deuses se conheceram

O dia em que o Rei faz anos; seria ontem o 71º aniversário de Freddie Mercury. Como todos os dias são bons para festejar o nascimento do Rei, aproveito a oportunidade para estrear a nova rubrica de Top 10 na NiT com as melhores performances do Freddie ao vivo (quem não gosta de um bom Top 10? Nem que seja para dizer mal, não é?). E um pouco de História também.

Parabéns, amigo Farrokh. E obrigado por tudo.

10. “It’s In Everyone Of Us” – Dominion Theatre, London (1988/04/14)

Quando se pensa na última actuação ao vivo de Freddie Mercury, quase sempre se fala no concerto de Knebworth Park em 1986. Mal. Knebworth foi de facto o último concerto de Freddie com os Queen, mas a sua última actuação ao vivo seria em 1988 no Dominion Theatre, por honras do musical “Time”, para o qual Freddie contribuiu com dois temas: “Time” e “In My Defence”. Ambos maravilhosos, diga-se (se não ouviram ainda, é carregar nos links).

Freddie fez uma aparição especial no Dominion para a caridade e teve um dueto inesperado com Cliff Richard no seu tema “It’s In Everyone Of Us”. A voz de Freddie está impecável (já não andava em tour há quase 2 anos) e a performance é irrepreensível. Ouçam só o entusiasmo na plateia; todos sabiam que estavam a assistir a um momento único, mas ninguém imaginava que seria a última actuação ao vivo do Rei.

Curiosamente, o Dominion Theatre alojaria entre 2002 a 2014 o musical “We Will Rock You” dos Queen e como tal teve durante 12 anos uma mega-estátua de 8 metros de altura (!!!) de Freddie à porta.

9. “Sheer Heart Attack” – Summit, Houston (1977/12/11)

Se quiserem ver o Freddie Mercury ‘going nuts’ em palco, é pesquisarem qualquer performance de “Sheer Heart Attack”. O tema remonta às sessões do álbum de 1973 com o mesmo nome, mas só foi terminado em 1977 para “News Of The World”, mesmo a tempo da revolução Punk que pretendia destruir as bandas da realeza do Rock, bandas precisamente como os Queen. Era a anarquia contra a monarquia.

Sempre que os Queen tocavam “Sheer Heart Attack”, normalmente no encore, Freddie entrava em modo vendaval e levava tudo à frente — amplificadores, microfones, o Brian May —, injectado a entusiasmo e muita cocaín… Entusiasmo, era isso.

Freddie podia querer levar o ballet às massas, mas não se deixem enganar pelas poses — Freddie era um bad boy. Se têm dúvidas, aproveito para recordar o episódio em que Sid Vicious dos Sex Pistols tentou intimidar Freddie nos Wessex Studios em Londres e saiu de lá com o rabinho entre as pernas. Freddie não estava para aturar as merdas de Sid e depois de gozar com ele (chamando-o de Simon Ferocious), pegou-lhe nos colarinhos e empurrou-o para fora do estúdio. Freddie era ballet, punk, ópera, rock, o que quer que ele quisesse ser, a qualquer momento. Bom em tudo. Como se comprova pelo vídeo em cima no lendário concerto em Houston (vejam aqui outro ponto alto do concerto – “My Melancholy Blues”), na légua americana da News Of The World Tour em 1977. Punk em lantejoulas? Siga.

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