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Saramago & Amado: o que dois gigantes dizem um ao outro também pode ser escutado

Filipa Martins é nova cronista da NiT. A escritora vai passar a dizer-lhe quais são os livros ou edições novas que devia estar a ler.

As obras de Jorge Amado e de Saramago são uma escalada. Galgamos degraus, galgamos penedos, galgamos ravinas. O legado que nos deixaram pertence aos lugares das montanhas sem cumes. Cada ponto cimeiro parece ser suplantado pelo próximo parágrafo, recanto, suspiro. A ausência de cumes não diminui a urgência da subida. Os leitores sangram as mãos na corda de alpinista ou são levados pelo afã da ascensão.

Teremos metro que chegue mais entender o que estes gigantes contam um ao outro na intimidade? É esta a proposta de “Com o Mar Por Meio”. A correspondência inédita entre os dois mestres da língua portuguesa vem finalmente a público num trabalho conjunto entre a Fundação Saramago e a família do escritor baiano.

Editada pela Companhia das Letras, a obra conta com facsímiles das cartas, bilhetes, cartões e faxes trocados entre os autores numa fase tardia da vida.  Como resistir à tentação de ouvir atrás da porta, de espreitar pela fechadura, de conhecer a intimidade daqueles que nos habitam os sonhos?