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opiniao

“Pokémon”: o Pikachu é uma graça — o resto não tem sentimento nem alma

Crítica: é assim para o fraco, com personagens muito verdes e sem densidade existencial.
Já está nas salas portuguesas.
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Olho para aquele boneco amarelo uma vez. Duas, três, mais de cem, perto de mil. É cómico, o ar dele. Faz parte do plástico de proteção ou lá o que é do telemóvel da minha mãe. É uma figura da casa, portanto. Sem nome. Pelo menos, para mim. Nunca o vi na vida, acho que é um boneco qualquer.

Quando me convocam para o filme “Pokémon Detetive Pikachu” — nos cinemas portugueses desde quinta-feira, 9 de maio —, o tal boneco lá aparece. É o Pikachu. É só rir. É que ele com vida tem mais graça ainda.

Pikachu é um boneco falante. E falador. Aqui para nós que ninguém nos ouve, tem a voz do Ryan Reynolds. É a figura principal do filme de Rob Letterman pelo tom descarado nas suas intervenções nos diálogos com Tim (Justice Smith), um filho à procura do pai Harry, dado como morto num misterioso acidente de viação.

A investigação tira-o da cidade-natal aborrecida e do emprego chato de segurador e leva-o para Ryme, a única cidade do mundo onde humanos coabitam com pokémons de qualquer espécie, cortesia do visionário/multimilionário Harry Clifford (Bill Nighy). Imagine-se, uma cidade com pássaros, pombos, cães, gatos e, depois, pokémons? O fungagá da bicharada, é o que é.

Adiante. Tim chega à cidade e depara-se com todo um mundo novo. Conhece o companheiro do pai Yoshida (Ken Watanabe), a jornalista intrusa Lucy (Kathryn Newton), acompanhada pelo pokémon Psyduck e, finalmente, o adorável Pikachu. A partir daqui é um corropio. Sem emoção por aí além. Os diálogos, básicos. A ação, inativa. Os efeitos visuais até puxam pela imaginação, o resto é confrangedor. Tudo muito pela rama, sem sentimento nem alma – exceção feita àquela cena dos balões da festa espirrarem um gás tóxico, uma homenagem ao “Batman” de Tim Burton. Digo eu, que não sabia que era o Pikachu.