opiniao

O novo Mazda CX-3 está a uma argola de ser um porta-chaves

O crossover citadino conduz-se bem, é leve, gasta pouco mas dá um coice quando se acelera. 

A crónica desta semana é uma dupla de peso. E por peso, entenda-se, pouco. Muito pouco. Numa semana andei com o Mazda MX-5 de capota de lona (daqui a uns tempo publicaremos a crónica do novíssimo MX-5 RF de capota rígida) e com o pequeno crossover CX-3, que está a uma argola de ser um porta-chaves.

E digo pouco peso porquê? Se somarmos o peso destes dois carros ficamos a 20 quilos de um Audi Q7. Agora pensem! O CX-3, curiosamente, tinha jantes de 18 polegadas, o que lhe dava um ar muito estranho. Se, por um lado, são jantes de 18 polegadas, adoro (!); por outro, não faz sentido nenhum ter jantes que são quase maiores que o carro.

Dá a sensação de que alguém roubou as rodas a um carro todo desportivo e as meteu neste Mazda. O motor deste pequeno crossover foi o 1.5 Skyactive-D a gasóleo com 105 cavalos que me deixou na dúvida se era, na realidade, a gasóleo. O que o denunciava era aquele pontapé que levava cada vez que o turbo disparava.

Parecia que tinha um pequeno Jackie Chan de algibeira dar-me um biqueiro no peito cada vez que chegava ali perto das 2000 rotações. Ainda assim, se a aceleração for linear o comportamento do carro é dócil. Mas não se enganem, quando chegarem a uma rotunda e tiverem que apertar para passar aquele carro que está quase a chegar, vão sentir um pequeno ataque nuclear nos rins. Vão, também, rolar em velocidades cruzeiro com uma rotação bastante baixa, o que é ótimo.

Posso dizer-vos que fiz o ensaio todo a um carro praticamente novo sem ter quaisquer preocupações em relação ao consumo e estive ali  a tocar nos 5,7 litros de média. Se conduzirem este carro de forma razoável e não à-la-rafa-não-quero-saber-estou-a-dar-tudo-porque-isto-é-um-ensaio-e-por-isso-tem-de-haver-rigor conseguem perfeitamente um consumo aí nos 4,7 litros de média. Ou seja: gostei muito do carro.

A qualidade de construção é muito boa. Os materiais têm qualidade, muita pele, os pormenores – costuras e encaixes – são muito bons e conduz-se muito bem. Tem excelentes sistemas de segurança, câmara traseira e sensores, os faróis LED são fenomenais.

Algumas coisas que achei menos boas foram a falta de regulação da altura dos faróis (posso não ter procurado bem, confesso) e o carro não é a melhor coisa do mundo a curvar. Talvez por não ser esse o propósito de um crossover citadino e eu tenha de repensar um pouco os pontos que verifico num ensaio.

Resumindo, gostei mesmo muito. Acho que é um carro que tem uma muito boa relação qualidade/preço. Em relação ao MX-5 vou guardar algumas coisas para a crónica do RF, mas posso dizer que toda a gente no mundo devia conduzir, pelo menos uma vez na vida, um MX-5. Acho que isto diz tudo.

As cabeças rodavam para ver o pequeno descapotável como se de um topo de gama se tratasse. Espero ter-vos aguçado a curiosidade. Vou, então, pontuar o CX-3. Da Suiça, 12 pontos. Letónia… 10 pontos. Desculpem, baralhei os conteúdos. Alguém que leve daqui o Malato, por favor.

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