Opinião

Mercedes-Benz C180 Cabrio: vamos lá ser poupadinhos

Tem um singelo motor 4 cilindros, 1.6 litros turbo com 156 cavalos e caixa manual de 6 velocidades.

Belo carro, bela vista.

Olá, prestigiados leitores deste senhor cujo nome é Rafael Aragão, sejam muito bem-vindos à crónica de opinião automóvel semanal da NiT. Hoje, trago-vos novamente um pouco de consumer advice, porque a vida não é só isto e todos merecemos um pouco mais de qualquer coisa.

A semana passada, este senhor cujo nome é aquele que já sabem, andou com um Mercedes-Benz C180 Cabriolet, que é o mesmo que dizer que andei a mandar cenário por essas estradas fora que nem um banqueiro aposentado, mas sem a parte da careca — se bem que estou a caminhar para lá mais rápido do que gostaria.

O carro em questão é o modelo de entrada na gama descapotável do classe C. Tem um singelo motor 4 cilindros, 1.6 litros turbo com 156 cavalos e caixa manual de 6 velocidades. Por partes. Nunca tinha andado com uma caixa manual Mercedes. Podem ficar descansados, é excelente. Bem escalonada, ainda que não esteja orientada para dar rotação ao motor, o que se compreende porque este carro não é um desportivo. Estava tão curioso como receoso acerca deste motor de baixa cilindrada.

Se por um lado queria ver o que Mercedes-Benz conseguia fazer a este nível, por outro estava com medo que tivessem borrado a pintura. Longe. Muito longe. Permite uma condução suave para podermos saborear a viagem mas, se quisermos, basta metê-lo em altas rotações que ele se mexe rapidinho. Raramente vão andar em altas rotações, ainda assim.

Primeiro, porque não estamos habituados a isso. Segundo, porque vão estar tão embalados pela condução que a necessidade de acelerar vai levá-la o vento, bem como o que restar do vosso cabelo. Para evitar isso, podem pedir como extra (são muito, acreditem) uns flaps em cima do pára-brisas e atrás dos bancos que tornam o habitáculo completamente livre de vento quando a capota está aberta. Isto, num descapotável, deve ser o único extra que faz sentido.

Estava muito calor durante os dias do ensaio e a capota aberta, ao contrário do que se possa achar, não nos arrefece. Expõe a nossa cabeça ao sol e ao bafo quente do ar que passado uns minutos já estamos a por em causa todas as decisões racionais que fizemos ao longo da vida, sendo, a primeira, a de ter comprado um descapotável. Nada que um ar condicionado bem fresquinho não resolva.

As temperaturas misturam-se no habitáculo e a satisfação é garantida, se bem que requer alguma habituação. Mas é melhor isso do que ficar a suar por todos os poros e sujar os estofos incríveis que o interior deste carro tem. Verdade seja dita, os dias estavam anormalmente quentes. Este carro tinha o kit AMG, com os apêndices aerodinâmicos específicos no exterior, bem como as jantes exclusivas, e o interior com volante, pedais e bancos desportivos.

O conforto é aquela questão que, neste tipo de carros, nem vale a pena referir porque ai destas marcas que um dia deixem de dar conforto aos clientes. Afinal de contas, para ter a designação premium é preciso bem mais do que uns cromados aqui e ali. Se fosse isso, metade dos cantores em Portugal podiam ganhar Grammys.

Este kit desportivo encarece o carro em cerca de 3 mil euros, mas vale a pena. Ainda assim, é uma questão de gosto. Sem este kit os Mercedes-Benz ficam com um ar mais clássico, sofisticado até. Com este kit, ficam mais desportivos e arrojados. O preço deste 1.6 litros é nada mais nada menos que 46.450€, sem extras. É muito? É. Mas, ainda assim, é 7 mil euros mais barato que o seu irmão com o motor de 2 litros turbo com mais 30 cavalos (um bom motor também) e 10 mil euros mais barato que a concorrência (que nem sequer tem um motor similar).

Com esta diferença pode comprar extras e ficar com o carro mais ao seu gosto, pagar seguros e combustível ou levar o carro numa viagem épica de ficar na memória porque, convenhamos, é para isto que servem os carros. Este, com a capota para baixo, está prontinho para devorar quilómetros ao sol junto à costa ou nas montanhas. Porque se é para poupar, que se poupe no trivial.

nota NiT: 75%
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