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“Lá Fora”: a crónica através da membrana da arte

A cronista da NiT fala sobre o livro de Pedro Mexia.
Filipa Martins fala sobre "Lá Fora", de Pedro Mexia.

O que se quer de um cronista? Arriscaria dizer um olhar que perdure. O desafio é maior se levarmos à letra a definição do género, amarrado à atualidade. Como é que, então, alguém que tem como matéria-prima o dia-a-dia poderá ganhar relevância no futuro, sempre desvinculado das tricas do quotidiano? Desafio agravado, talvez, no momento atual, em que tudo parece ter a validade de uma publicação nas redes sociais.

Uma resposta conservadora apelaria a um olhar historiográfico que imprimisse na crónica o gesto largo e nunca os pequenos pespontos. “Lá Fora” (Tinta da China, 2018), de Pedro Mexia, conjunto de crónicas do autor publicadas em órgãos de comunicação, tem, porém, outro antídoto para o efémero: côa os acontecimentos no filtro da arte.

Pedro Mexia venceu por unanimidade o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários da Associação Portuguesa de Escritores com o livro “Lá Fora”, editado no ano passado. “Lá Fora” é uma obra de “um intelectual no mundo de hoje, observando esse mesmo mundo por intermédio da arte (literatura, música, cinema) como coisa íntima e reclusa de si”, justificou o júri do prémio.