NiTfm live

opiniao

Houve mais publicidade do que cozinha na estreia de “MasterChef Portugal”

O humorista e cronista Miguel Lambertini comenta a estreia da nova temporada do programa da TVI.
O programa da TVI tem uma nova temporada.

Depois da presença de Assunção Cristas e António Costa em “O Programa da Cristina”, onde cozinharam os seus pratos favoritos, a TVI ainda tentou, sem sucesso, que Marcelo Rebelo de Sousa fosse cozinhar na estreia da quarta temporada de “MasterChef Portugal”. Infelizmente o Presidente tinha 1200 velhinhas para beijar e 240 livros para ler nesse dia e por isso ainda não foi desta que provámos a famosa vichyssoise de Marcelo. 

A quarta temporada de “MasterChef Portugal” estreou este domingo, 1 de setembro, na TVI, com a já habitual apresentação de Manuel Luís Goucha. O programa tem como membros do júri os chefs Rui Paula, Miguel Rocha Vieira e Nuno Bergonse, que podia ser um dos filhos não reconhecidos de Julio Iglesias, se este tivesse tido uma relação com o ex-central do Benfica Ricardo Rocha.

O programa começou com a entrega de colheres de pau XXL aos concorrentes que se destacaram de entre os 300 que concorreram ao casting. Feita a seleção dos candidatos a master chef, os membros do júri fizeram aquele discurso armado ao inspiracional de que a partir dali aquilo é uma batalha e só os melhores alcançarão a glória e blá, blá, blá e “they may take our lives, but they’ll never take… our freedom!”, que, como sabemos é uma versão fajuta do já clássico e incrível grito de guerra “amanhã é feriado cara*#o!”.

É ainda neste mood de excitação total que Manuel Luís Goucha anuncia, de forma nada forçada, que os concorrentes selecionados “vão embarcar numa espetacular frota de carros Hyundai Tucson!” Cá está, três minutos decorridos desde o início do programa e levamos já com o primeiro momento de product placement — que é o termo técnico para publicidade descarada a fingir que não é publicidade. Imagino como é que terá sido negociado este patrocínio… O David desliga o telefone e anuncia para o resto dos colegas da produtora: “Malta, conseguimos o patrocínio da Hyundai, eles vão ceder-nos vinte carros! Whooooh!” Silêncio desconfortável na sala, que é interrompido pela intervenção do diretor: “Porra, David, isto é um programa de culinária, pá, o que é que eu faço com uma catrefada de carros num programa de culinária David!”

Novo silêncio embaraçoso na sala, até que o David diz: “Então e se os concorrentes fossem nos carros até aos estúdios, conduzidos por um promotor vestido com um polo da Hyundai enquanto há planos apertados de diferentes partes do carro, como se fosse um anúncio de cinco minutos?” “Porra David, ‘tás a brincar, mas tu achas que a TVI alguma vez vai aprovar uma coisa dessas?”, diz o diretor enquanto atira um agrafador à sua cabeça. Claro que a TVI aprovou e o mais tramado no meio disto tudo é que eu fiquei cheio de vontade de conduzir o novo Hyundai Tucson. Malta da Hyundai, se estão a ler isto, fico à espera desse telefonema. Mas, sinceramente, do que é que eles se vão lembrar a seguir, de um programa de culinária com o patrocínio de uma agência de viagens, queres ver…

Já chegados a estúdio, depois de uma viagem certamente confortável no novo Hyundai, os concorrentes são distribuídos em pequenas equipas, para competir em “batalhas” de 45 minutos onde irão fazer um prato que convença os chefs do júri a atribuir-lhes um dos 15 aventais MasterChef.

Ficámos também aqui a saber que os três concorrentes que chegarem à final desta edição do programa vão receber como prémio um curso de técnicas de culinária na Facultad de Ciencias Gastronomicas de San Sebastian, e ainda… um fantástico automóvel, imaginem só, Hyundai Tucson. Ah, pensavam que já tinha acabado o publicidade da Hyundai e que agora íamos ver pessoas a tentar cozinhar, não era? Pois, mas não. Sabem porquê? Porque o David não brinca em serviço e, ou muito me engano, ou ainda vamos ver nesta edição uma prova onde os concorrentes vão ter de cozinhar o famoso bacalhau à Zé do Tucson, em cama de Hyundai.