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Gimme Californication: venha daí esse novo álbum dos Red Hot Chili Peppers

O cronista da NiT analisa o regresso de John Frusciante à companhia de Anthony Kiedis, Chad Smith e Flea e antecipa mais um grande trabalho da banda californiana.
Os Red Hot Chili Peppers voltam a apresentar-se com a equipa na máxima forca.

Os loucos Anos 20 chegaram em força. Depois da fantástica notícia do regresso de John Frusciante aos Red Hot Chili Peppers em Dezembro passado, Chad Smith aumentou as expectativas, quando confirmou à Rolling Stone que os Red Hot estão a gravar um novo álbum com o seu novo-velho-eterno guitarrista. Significa isto que não será apenas uma reunião “à Guns N’ Roses” para rechear a conta bancária: os Red Hot regressam com música nova. Exultem. É uma excelente notícia para começar a década que nos vai subtrair quase todas as lendas do passado. Os nossos ídolos dos anos 60 e 70 vão desaparecer e, daqui a 10 anos, provavelmente só restará o Keith Richards para contar aos poucos que sobrevivam ao apocalipse nuclear que se avizinha. É reconfortante, por isso, ter os Red Hot de volta à sua máxima força.

Frusciante regressa à banda de onde nunca deveria ter saído. Com ele, os Red Hot eram a banda completa. Cada elemento trazia ao grupo uma palete de influências diferente: Anthony Kiedis, o vocalista, trazia a batida do Hip Hop; Flea, o baixista, trazia o ritmo do Funk; Chad Smith, o baterista, trazia a mão pesada do Rock dos Sabbath e dos Zeppelin; John Frusciante, o guitarrista, trazia o sentido melódico de Elton John e os sons bizarros do Prog e do Psicadélico. Juntos, formaram uma força imparável que tomou os anos 90 em duas fases distintas: no início, com o fervoroso “Blood Sugar Sex Magik” (1991) e no fim, com o épico “Californication” (1999).

Este último foi a banda sonora do meus tempos de liceu. Foi o disco mais tocado na rádio da Associação de Estudantes e o CD mais traficado no auge das cópias (lembram-se?). “Californication” foi ubíquo e unânime – o ponto de ligação entre os quatro cantos do pátio do Liceu. Foi o álbum que conseguiu unir as meninas da Pop aos fãs de Nu Metal (que estava na berra na altura); que conseguiu juntar os defensores da Britpop (como eu), com os que gostavam de Hip Hop. Basicamente, ligou públicos diferentes da mesma maneira que a banda ligava elementos de influências distintas. O seu impacto foi imenso.

Importa lembrar que “Californication” foi também o álbum que marcou o regresso de John Frusciante aos Red Hot, depois de um interregno na banda entre 1992 e 1998, período em que foi lançado “One Hot Minute” com Dave Navarro na guitarra. Estão a ver onde quero chegar, não estão? John foi para as sessões de “Californication” a fervilhar de ideias, apostado em fazer o melhor álbum de sempre dos Red Hot. Vinte anos depois, em 2020, a história repete-se. Repetir-se-á o sucesso? Aguardemos. Até lá, vou esfregando as mãos de entusiasmo. Os reis do Liceu estão de volta e como rezam as eternas palavras de Keidis: “Come on everybody, time to deliver”. Ou então “ding dang dong dong ding dang dong dong ding dang”.