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“Casados à Primeira Vista”: O malandro do António enviava nudes pelo WhatsApp

O cronista e humorista Miguel Lambertini analisa o último episódio do programa da SIC.

A SIC transmitiu este domingo, 29 de dezembro, o derradeiro episódio da segunda temporada de “Casados à Primeira Vista”, que desvendou quais os dois casais que decidiram renovar os votos. Tal como a Kate e o Jack no filme “Titanic” — que o mesmo canal transmitiu na semana do Natal —, estes casais têm a ilusão de que ainda há futuro para a sua história, quando já todos percebemos que o amor ali está mais congelado do que uma embalagem de medalhões de pescada Pescanova. 

Como é hábito, o encontro final reuniu todos os participantes, inclusive os que saíram na primeiras semanas do programa, como a encantadora Ana Raquel ou o saudoso António. O ex de Lurdes não se escapou a mais uma sessão de enxovalho público por parte da sua antiga companheira, que entre um ou outro esgar de repugnância de cada vez que ouvia António falar, confessou que tem um novo amor e que não aprendeu nada com o seu ex-marido. Ao contrário de Lurdes, eu aprendi várias coisas com esta temporada de “Casados à Primeira Vista”. Por exemplo, aprendi que não interessa se tens uma voz muito boa, o mais importante é teres uma historinha de vida dramática. Não… isso aprendi foi no “The Voice”. Ah, já sei, aprendi que não se pode fritar um hambúrguer sem o descongelar primeiro. Ai também não, isso foi no “Pesadelo na Cozinha”. Esperem lá, eu sei que aprendi qualquer coisa com este programa, senão, como diz o Dr. Alexandre Machado, a limitação é minha, mas assim de repente não estou a ver o quê. Não faz mal, eu até ao final desta crónica vou conseguir lembrar-me do que é que aprendi. Até lá vamos avançar para os principais momentos deste último episódio.

Encontro final

Para acabar em grande, a produção terá pedido aos participantes para capricharem nos looks. Isto tem desde logo um problema porque faz com que algumas senhoras se vistam como se tivessem sido convidadas para o Baile do Príncipe da Bela Adormecida, só que, nesta versão, a fada madrinha que lhes fez os vestidos é vesga, daltónica e ataca no Parque Eduardo VII. Felizmente, o Polícia da Moda não estava nas instalações senão tinha ido tudo dentro.

Quem ainda safou o desfile de bimbalhada foi a Diana Chaves, que se apresentou vestida de fatia dourada, sempre elegante e adequada ao espírito da quadra. Já com alguns participantes na sala, António chega e não se lembra dos nomes de ninguém, o que é natural atendendo a que teve pouco tempo de convivência e é idoso. Quando lhe perguntam se manteve contacto com Lurdes, responde: “Nós já fomos amigos no Facebook, e ela já tratou de me bloquear”. Ficámos sem saber a razão pela qual Lurdes bloqueou António, mas gosto de acreditar que foi porque ele lhe enviou nudes para ver se conseguia reatar a relação, mas a coisa correu mal. Quem nunca… Ao contrário de António, Paulo vangloria-se de ter conquistado duas senhoras, uma loira e outra morena, como na canção de Marco Paulo. Claro que é mais provável o Marco Paulo começar a namorar com a Beyoncé do que o Paulo vir a envolver-se com a Ana Raquel ou a Lurdes, mas o mais importante é sonhar — e já que é para imaginar que seja um ménage à trois, claro. 

Os especialistas juntam-se aos participantes na sala e em conjunto assistem a um filme com imagens de todos os casamentos e uma música bonitinha, de fundo. Claro que Bruninho ao ver as imagens emociona-se e não contém as lágrimas. Já Ana Raquel apercebe-se de que, aparentemente, até estava feliz no dia do casamento, porque no filme sorriu bastante. Provavelmente selecionaram só as imagens do momento em que a produção lhe explicou que só tinha de aguentar a lua-de-mel e depois podia pedir o divórcio e pirar-se para Aveiro. Os especialistas aproveitaram o momento para falar individualmente com cada um dos casais, mandar uns raspanetes finais e tentar perceber qual foi a sua avaliação global da experiência. Aqui fica o que eles disseram, mais coisa menos coisa.

Inês e Hugo renovam os votos de amizade

O  casal mais estável de todo o programa renovou os votos para poder manter a amizade longe das câmaras. Inês diz que alcançaram “uma amizade bonita e robusta”. Hugo explica que “a relação é um ensinamento e que à mínima dificuldade, não devemos desistir”. Bonito, mas completamente ao lado do propósito desta experiência. Ainda assim, gerou-se uma bonita amizade e isso é sempre melhor do que nada. Viva a amizade.

Lucas e Anabela dão abraço da paz  

Lucas revela que não voltou a falar com Anabela após a separação. “Consigo ter a consciência de que as maiores falhas que tivemos foi não saber comunicar”, afirma Anabela. Lucas diz que esteve sempre do lado da ex-mulher, mas que esta “dificultava muito a comunicação”. Anabela assume que teve saudades de Lucas, mas o barbeiro diz que a experiência “não foi positiva”. “Fiquei sentido porque, no fim, ela brincou um bocado com os meus sentimentos”.

Para tentar acabar em bem, Diana Chaves veste a pele de chefe Indío e desafia o ex-casal a dar um “abraço da paz”. Lucas e Anabela abraçam-se e ficamos e todos ficamos com a sensação de que agora sim, já se odeiam um bocadinho menos. 

Marta, Luís e o sapato voador

O casal não renovou os votos e Luís diz que Marta lhe tirou um peso dos ombros. “Fiquei feliz por concordarmos”. A jornalista aproveita para revelar que depois da lua de mel “houve situações de algum conflito. Marta recorda o episódio em que o ex-marido atirou um sapato contra a parede e Luís diz que a ex-mulher faz tudo para não ficar mal vista. “Senti-me muito nervosa e assustada», diz. Luis contrapõe: “Ela conta a história como se fosse vítima de uma coisa muito agressiva. Eu não consigo aceitar isso”.

Nada justifica a violência entre casais, e quem tem irmãos mais velhos, como eu, sabe que levar com um sapato na cabeça não é uma sensação muito agradável, por isso percebo perfeitamente o receio da Marta.

Para fechar a conversa, o especialista Fernando Mesquita conclui: “O vosso problema é a falta de respeito que têm um pelo outro”. É capaz Dr., mas se calhar também não ajudou terem casado duas pessoas que já tinham tido um encontro e chegaram à conclusão que não tinham o mínimo interesse em estar juntos.    

Tatiana e Bruno… ai é amor. 

Bruno diz que a renovação de votos foi perfeita, tal como é Tatiana — e chora enquanto a mulher lê o seus votos. Já vomitaram tudo? OK, vamos continuar. O comercial diz que Tatiana o fez descer à terra. “Eu não me estava a conseguir desligar do padrão de ‘dá-me um beijo’. Estava descontrolado”.

Tatiana diz que tiveram discussões tão acesas quanto dos outros casais e que com Bruno houve situações piores do que a cena do sapato que Marta contou. Pumba, aquele picanço final só para fechar a loja. “Provavelmente a Marta e o Luís interpretam isso de outra forma», diz a enfermeira. Bruno termina com uma confissão: “Aquilo que eu sinto pela Tatiana podemos chamar-lhe amor”. Por mim, podemos, mas olha que isso não vai correr bem, Bruninho…

Lurdes, Paulo e António o excluído 

Diana Chaves pergunta se António ficou amigo de Lurdes e ele revela que estava num grupo de WhatsApp com todos os participantes, mas foi bloqueado. Lá está, era o que eu dizia, não contente por ter sido bloqueado no Facebook, António ainda tentou mandar nudes através do WhatsApp. 

“Excedi-me, mas não muito”, explica o reformado. Este é um conceito fascinante. Como é que alguém se consegue exceder pouco? É como alguém berrar baixinho ou um torturador ser meiguinho. Marta conta que era a administradora do grupo — claro — e que, por unanimidade, decidiram removê-lo. 

António explica que foi Lurdes quem se decidiu afastar. Por outro lado, Lurdes diz que “o que havia de pior na relação era a comunicação”. António aproveita para comentar a ex-mulher e deixa um elogio genial. “A Lurdes é convencida, prepotente e arrogante. Se conseguir banir esses três defeitos, é uma mulher de sonho”. Se isto não é ser galante, não sei o que é. 

Lurdes revela que tem “muitos amores”, alguns que estavam “adormecidos” e que vieram ao de cima durante o programa. O especialista Eduardo Torgal quer saber mais sobre as tais luzes que reacenderam. Lurdes recusa falar e explica em off que as luzes do amor são as luzes do Natal, depois ri-se da sua própria piada. “Malucos do Riso…tan taran, tarantaran tan taran tan.” 

Ana Raquel, Paulo e já agora o Pedro

Ana Raquel admite que não estava de espírito aberto. No entanto, o ex-casal tem mantido contacto. A aveirense diz que são amigos e que tem de deixar de se iludir e ser “mais mente aberta”. Paulo, por seu lado, lamenta: “Não há nada que me atraia para haver uma evolução”. E acrescenta: “Não tenho de ter a pretensão de agradar a toda a gente”.

Paulo Fernando Mesquita, que é danado para a brincadeira, questiona quem é que Ana Raquel escolheria do grupo se tivesse essa oportunidade. Ela não hesita e responde que seria o Pedro Pé-Curto porque têm muitas coisas em comum. “Se tivesse o Pedro no altar à minha espera, eu viajava”. Pedro contrapõe: “Quem é que não gosta de ser elogiado por uma mulher bonita?” E mais: “Depois dás-me o teu número e combinamos…”

Sabes muito, Pedro, como se tu já não tivesses o número da Ana Raquel, meu malandrão. Olha que a mentira, Pedro, tem Pé Curto. Hein, também consigo fazer trocadilhos giros como a Lurdes. 

A carroça vazia do Pedro e da Liliana

Na cerimónia de renovação de votos, Pedro quis manter a relação, mas Liliana preferiu não renovar.  O professor de Educação Física diz que ficou surpreendido com a decisão. “Não fazia sentido renovar os votos se não estava bem comigo própria”, diz a secretária.  

Liliana explica que não conseguiu ter “conversas consistentes” com Pedro. “Para estar com uma pessoa preciso que seja alguém com quem possa ter uma conversa de uma hora, com conteúdo.” Para explicar melhor Liliana conta uma história: “Há um ditado antigo que fala da carroça vazia. São aquelas carroças que vão às aldeias com muitos produtos e os vendedores falam, falam mas no final não vendem nada e a carroça fica vazia.” Então mas, espera aí, se não vendem nada, como é que a carroça fica vazia? Não sei onde é que a Liliana anda a ler estas histórias, mas deve ser num livro de contos alternativos. 

Para terminar, a especialista Cris Carvalho questiona Liliana sobre um suposto relacionamento fora da experiência e sugere que o ex-namorado a teria ido buscar aos estúdios. Pedro garante que viu o ex-namorado de Liliana, mas esta justifica: “Ter sido um táxi a vir-me buscar gerou alguma confusão, porque o meu ex-namorado é taxista”. Ah claro, para a próxima vez é melhor mandar vir um Uber para evitar confusões, ou então uma daquelas carroças mágicas que são como a cabeça de algumas pessoas, até parece que estão cheias, mas vai-se a ver e não têm nada lá dentro. 

Por falar nisso, espero que o próximo ano traga a todos muitas carroças carregadinhas de coisas boas. Bom ano e se gostaram, façam como o António: mandem nudes. 

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