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“A Máscara”: Aquele Leão era claramente o D. Duarte Pio

O humorista e cronista Miguel Lambertini analisa o segundo episódio do novo programa de domingo da SIC.
São estes os investigadores (e o apresentador João Manzarra).

Eu ia começar por dizer que as máscaras são absolutamente incríveis, mas como o Jorge Corrula já o disse 3678 vezes ao longo do programa de forma tão efusiva, acho que este aspeto já ficou bem assente. De facto, um dos pontos altos do novo formato — transmitido pela SIC todos os domingos e apresentado por João Manzarra — são os disfarces atrás dos quais se escondem 12 figuras públicas que sobem ao palco para cantar.

No episódio de estreia, no dia 1 de janeiro, entraram em competição seis famosos. Houve três duelos e os concorrentes apresentaram-se mascarados de Borboleta, Monstro, Ananás, Poodle, Cavalo e Corvo, o que inevitavelmente me fez lembrar a minha infância. Quando eu era criança, nos anos 80, havia poucas opções de máscaras: os rapazes vestiam-se de Zorro, cowboy, pirata ou Super-Homem. As meninas eram princesas ou, se tivessem óculos, enfermeiras, coitadinhas. Eu sempre quis vestir-me como os outros, mas a minha mãe — sensatamente — achou que era um disparate gastar dinheiro num fato de Carnaval para usar uma ou duas vezes e, sendo artista, divertia-se a desenhar as próprias criações para eu usar.

Foi assim que me apresentei no colégio, em diferentes carnavais, com outfits como Estátua da Liberdade, Charlie Chaplin ou o inesquecível Pássaro, um fato cuja base era um capote alentejano todo agrafado com penas de papel, que completava com um bico cor de laranja e um par de collants castanhos. Depois de algumas sessões de terapia, hoje em dia já consigo sair de casa durante o Carnaval e até agradeço à minha mãe a sua criatividade, mas principalmente o facto de nunca me ter vestido com aqueles fatos do supermercado, até porque acho que não ia ficar grande coisa disfarçado de enfermeira. 

No primeiro programa, as máscaras menos votadas foram o Ananás e o Cavalo. O júri acabou por eliminar o último, que escondia o artista e comediante Jel. O “tio” teve uma belíssima prestação mas talvez lhe tenha faltado um pouco de “sal grosso” para convencer o público e os jurados. Nada que faça desmoralizar um verdadeiro homem da luta porque, como o próprio diria, é “cagar e andar”. No segundo episódio, que foi transmitido este domingo, 5 de janeiro, ficámos a conhecer os seis novos participantes: Astronauta, Cavaleiro, Leão, Pantera, Pavão e a Pérola, que na verdade é uma ostra com uma pérola lá dentro. Todas elas máscaras “absolutamente incríveis” para os mais distraídos, que por ventura ainda estejam a pensar porque é que de vez em quando aparecem dois rapazes a fingir que são seguranças — mas a esses já lá irei.  

O júri é composto por César Mourão, Carolina Loureiro, Jorge Corrula e Sónia Tavares, que têm de tentar adivinhar quem se esconde por trás dos disfarces. Júri não, porque n’”A Máscara” eles não são jurados, são investigadores. Um género de Moita Flores da SIC, sendo que a única diferença é que nos comentários do Moita Flores na CMTV há ainda mais fantasia — e no final os palpites também estão quase sempre errados.

O grupo de investigadores está sentado num terceiro andar a dois quilómetros do palco, não sei bem porquê, mas pelo menos atribuíram um par de binóculos a cada um para poderem analisar melhor os seus suspeitos e as respetivas pistas lançadas num vídeo, antes da atuação. Sendo que, àquela distância, talvez um telescópio tivesse sido mais útil. Após dois episódios creio que é seguro dizer que o único no painel que não está completamente à toa é o César Mourão. Os palpites destes investigadores fazem-me lembrar eu a provar vinhos. Até sei que há ali uma nota de uma fruta qualquer mas não consigo identificar qual é. Depois alguém atira para o ar um aroma a framboesa com toque de compota de ameixa e eu vou atrás, mas tenho o cuidado de completar sempre com algo como “sim, sim, vê-se que é encorpado”, para parecer que não sou completamente imbecil.    

Além dos investigadores, o programa conta, como já disse, com a apresentação de João Manzarra, que está confortável no papel, e também com os tais dois meninos vestidos de seguranças do primeiro “Big Brother”. Ora, num programa onde as máscaras são “absolutamente — quero ouvir, só vocês! — incríveis” não faz sentido nenhum ter estas duas criaturas vestidas como se fossem os porteiros do baile de finalistas da Escola Secundária dos Olivais.

Não sei se o objetivo de ter dois seguranças é evitar que o Poodle se agarre à perna do Manzarra e tente fazer amor com ela, mas não acrescenta grande coisa. Adiante, no programa deste domingo os três participantes que ficaram em risco foram o Pavão, o Cavaleiro e a Pérola, que acabou por ser eliminada. Os investigadores tinham a certeza absoluta de que por trás da máscara da Pérola estava a Patrícia Mamona e o espanto foi geral quando descobriram que afinal era a ex-modelo Diana Pereira. Uma pena para os adeptos de atletismo, mas uma alegria para todos os apreciadores de ostras, como eu, que a partir de hoje vão sonhar com o momento em que abrem uma ostra e sai lá de dentro uma super-modelo. Espero que os senhores do Ramiro não se lembrem disto, senão passa a haver filas até ao Martim Moniz.

Na próxima semana haverá mais atuações e duelos. A não ser, claro, que o Leão e a Pantera se cansem de ouvir o Jorge Corrula a dizer que as máscaras “são absolutamente incríveis” e o comam. Quem serão os famosos que se escondem por trás das máscaras? Aqui ficam os palpites dos Moita Flores d’”A Máscara” e — embora ninguém me tenha perguntado nada — também os meus.

Pavão Vs. Astronauta — Ganhou Astronauta

Pavão cantou “Retratamento” dos Da Weasel e “Sonhos de Menino” do Tony Carreira

Palpites dos Investigadores:

Cláudia Semedo 

Luciana Abreu

Sara Tavares 

Meu palpite: Beatriz Gosta

Astronauta cantou “O Sol” de Vítor Kley

Palpites dos investigadores:

Jerónimo de Sousa 

Luis de Matos 

Joaquim Nicolau 

Meu palpite: João Ricardo Pateiro 

Pantera Vs. Pérola — Ganhou Pantera

Pantera cantou “O Show das Poderosas” de Anitta

Palpites dos Investigadores:

Beatriz Frasão 

Victoria Guerra 

Madalena Aragão

Meu Palpite: Bárbara Bandeira 

Pérola cantou “Diamonds” da Rihanna e “O Amor é Mágico” dos Expensive Soul

Palpites dos investigadores:

Patrícia Mamona

Bárbara Bandeira 

Meu Palpite: Fernando Pereira

Afinal era a Diana Pereira, foi quase…

Cavaleiro Vs. Leão — Ganhou Leão

Cavaleiro cantou “Girl in my Life” do Virgul e “Hotline Bling” do Drake 

Palpites dos Investigadores:

Wuant 

José Luís Peixoto 

DJ Kamala 

Meu palpite: Estou na dúvida entre um jogador de futebol ou o D. Duarte Pio

Leão cantou “Fire to the Rain” da Adele

Palpites dos Investigadores:

João Paulo Rodrigues 

João Paulo Sousa

Meu Palpite: João Malheiro