OPINIÃO

Mazda MX-5 RF: deram um capote à lona

Graças à capota retrátil já não preciso de deslocar um ombro cada vez que a quiser abrir ou fechar.

Imagine-se a conduzir esta maravilha. Pois.

Eu gosto de carros. É um facto. Gosto de desportivos. É outro facto. Gosto de dançar nu quando estou sozinho em casa. É estúpido, mas é um facto. Como é fácil de perceber, a vida é feita de factos. Ninguém vive de suposições, ainda que os sonhos se possam comparar a tal. E para que serve esta introdução semi filosófica, perguntam-se vocês? Para nada. Por isso, vamos ao que interessa.

Esta semana andei com dois Mazda. O MX-5 RF (desde 29.841€) e o Mazda 6. Este fica para depois – e para mais um episódio do Sillyndrada no meu canal do YouTube juntamente com o RF – mas o primeiro, o descapotável desportivo, é o que me faz escrever esta crónica. É um carro e é desportivo, logo é um facto. É, também, descapotável, por isso é um ótimo facto. Já andei com a versão com capota de lona e posso afirmar que prefiro esta, rígida e retrátil. Porquê? Porque o mecanismo automático não obriga a que nos contorçamos para retrair a capota – da primeira vez que o fiz dei um esticão no ombro – e porque, com a capota arrumada, o carro ganha um estilo targa que me agrada muito. Targa é uma forma antiga da palavra targe que significa escudo, daí a sua utilização para modelos que, quando descapotáveis, ficam com aquele escudo na traseira. É, também, o nome de uma corrida famosa na Sicília, em Itália, onde a Porsche foi muito bem-sucedida, daí a designação surgir primeiro com o Porsche 911 em 1966.

No entanto, alguns anos antes, em 57, já a Fiat tinha feito uma edição limitada de um carro com esta característica. Popularizou-se da década de 60 com uma lei nos Estados Unidos da América que proibia os descapotáveis porque, em caso de capotar, não ofereciam segurança aos ocupantes, algo que nós, na Europa, não queríamos saber. Quem quer saber da segurança quando existe estilo? Curiosamente, a tendência actual é inversa. Um assunto para uma próxima crónica, talvez. Esta característica caiu em desuso quando se criaram as primeiras capotas rígidas e retráteis e com o desenvolvimento de barras anticapotamento automáticas. Ainda assim, fico muito contente que algumas marcas continuem a fazer carros com versões targa porque, pessoalmente, são lindas. Este MX-5 RF é prova disso.

Apesar de gostar muito da versão de lona, a capota rígida retrátil targa dá-lhe uma classe que poucos têm. Juntamos um motor 2 litros, 4 cilindros com 160 cavalos e temos uma receita para excelentes passeios. A caixa era automática de 6 velocidades e já sei que os puristas do MX-5 vão dizer que é uma parvoíce um carro destes ter caixa automática porque, para além da manual ser muito boa, parte da experiência deste carro é aquela ligação que temos em controlar o carro com todos os elementos. Quem diz isso são, provavelmente, aqueles condutores de fim de semana que usam o carro durante 20 minutos para ir almoçar àqueles restaurantes onde servem comida em tábuas de xisto e aproveitam para fazer umas curvas numa qualquer estrada montanhosa ou bosque. O ridículo nesta última frase é conduzir um carro destes por tão pouco tempo. Este RF, apesar de não ser um carro de turismo, permite-se conduzir por muito tempo e esta caixa ajuda. É rápida, suave e liberta a nossa atenção para que possamos apreciar a viagem. A qualidade é muito boa ou não estaríamos a falar de um Mazda. Neste MX-5, então, esmeraram-se. Talvez por ser o seu carro bandeira e um best-seller.

Que continue assim. Não é espalhafatoso, mas subtil. É um carro pequeno, mas imponente e chama a atenção com uma elegância que poucos conseguem.

nota NiT: 80%
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