Mazda 6 2.2 SKYACTIVE-D: Berlina com faróis em bico

Tem 175 cavalos, 1540 quilos e quase 5 metros de comprimento.

Quase cinco metros de carro.

Olá, olá, e sejam bem vindos à crónica de opinião automóvel desta semana. Desculpem a demora mas fui buscar este carro ao Japão. É tão bom que decidi vir a conduzi-lo desde lá. Na verdade, isso não aconteceu, mas era muito fixe não era? Uma road trip desde a fábrica, em Hofu, até Lisboa. Não sei quanto tempo levaria, porque o Google não tem dados acerca das estradas para aqueles lados. Das duas, uma: ou porque não lhos dão ou porque não as há.

Estranhamente, consegui calcular a distância até Lisboa, a partir de Dushanbe, capital do Tajiquistão, que parece um diálogo numa só palavra. Tás? Aqui estão? Peço desculpa, não torna a acontecer. São 92 horas! Imagino os Xutos a cantar isto. De Dushanbe a Lisboa são 92 horas de distância. Queria ter um avião, p’ra lá ir só que não porque aquilo é uma zona lixada e ainda ficávamos por lá e ninguém nunca mais ia ter notícias nossas o que de certa forma e na opinião de quem está a escrever isto até era uma coisa boa.

Bom, o carro. É um Mazda 6, na sua versão topo de gama (desde 46.2311€). No Japão tem o nome de Atenza, que deriva do italiano “attenzione”, atenção. Não creio que seria preciso chamar a atenção para este carro – ele trata muito bem disso sozinho – mas, se o queriam fazer, não era mais fácil chamá-lo Mazda Caz, do italiano “cazzo”? Fica a ideia. O motor foi o 2.2 Skyactive-D, a gasóleo, de 4 cilindros, com 175 cavalos e 420Nm de binário. É um motor forte, pujante e relativamente silencioso, capaz de movimentar este carro de 1540 quilos com muita facilidade. A única questão na dinâmica é o seu tamanho, que o torna pouco ágil para aquelas alturas em que gostaríamos de fazer umas curvas mais apertadas.

Tem quase 4,9 metros de comprimento e uma distância entre eixos de 2,83 metros e uma altura ao solo relativamente alta. Isto não é, de todo, problemático, pois a sua função não é essa. É, sim, rolar quilómetros com muito conforto e qualidade. Nisso, é exímio. Há espaço de sobra para 5 pessoas e é amplo e arejado. Deixa entrar muita luz o que, pessoalmente, é qualidade essencial para um sedan premium. Em parte, este tamanho e luminosidade são a fonte do seu charme. Estacionar este carro em qualquer lado é um garante de atenções por parte de toda a gente. Os outros carros, por muito giros que sejam, ficam aquém da imponência desta Berlina com faróis em bico.

É um carro imponente, não haja dúvida, mas fácil de conduzir, em especial com esta caixa automática. O equipamento contava com head up display, sonar e assistências à condução, jantes especiais de 19 polegadas todas catita e bancos em pele beige (ou branca, não sei bem a diferença). Tem um design elegante e, na minha opinião, só peca por estar muito acima do solo (ou, pelo menos, é a sensação que dá). Pessoalmente, ficar um pouco mais agarrado ao chão era a cereja no topo do bolo. O design interior é o seu ponto menos bom.

A qualidade é indiscutível, mas o design deixa-nos com a ideia de que está desatualizado ou, pelo menos, que vai ficar dentro em breve. A culpa não é da Mazda, atenção. É dos outros construtores que, por culpa desta necessidade que temos cada vez mais em não ficar quietos e saber apreciar as coisas com tempo, queremos mudanças e alterações a toda a hora. A Mazda gosta de levar o seu tempo, bem ao estilo japonês, pois sabe que assim fica mais bem feito. Este Mazda deixou-me com vontade de o conduzir outra vez e isso, no meu medidor de gosto, é muito positivo. Poderão ver mais acerca deste ensaio (e do MX-5 RF) no novo episódio do Sillyndrada.

nota NiT: 75%
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