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Participámos numa underground run (e queremos repetir)

Sem sabermos as horas, o local ou o percurso, fomos ao desconhecido e acabámos no meio de túneis subterrâneos. Resultado: estamos prontos para outra.

Pista: foi debaixo da terra.

Desafio: correr quatro quilómetros. Pareceu-me simples e nada do outro mundo — mesmo para quem não corre com muita frequência. “Só não vais saber o local nem o percurso, só no dia da prova”, disseram-me. Comecei logo a imaginar mil locais na minha cabeça e como podia tornar-se mais difícil do que eu pensava. Afinal, não sabemos aquilo para que nos estamos a preparar. Ainda assim, aventurei-me. A poucos dias da corrida, o editor de vídeo da NiT, André Abrantes, decidiu juntar-se a mim e fomos os dois.

A proposta desta secret run resulta de uma parceria entre a marca Adidas e a Correr Lisboa, um grupo animado de pessoas, com mais ou nenhuma experiência, que gostam de correr.

“O objetivo é criar sempre percursos únicos e dos quais as pessoas não estão à espera, para sair da rotina”, conta à NiT Sónia Fernandes, Relações Públicas da Adidas em Portugal. 

Só no dia da prova, que aconteceu no passado sábado, 24 de junho, é que ficámos a conhecer o local: o Reservatório da Mãe d’Água das Amoreiras, em Lisboa. O meu primeiro pensamento foi se haveria espaço suficiente para criar um circuito — tão inocente.

“Cuidado com as poças”, “baixem-se” ou “atenção ao lancil” foram algumas das frases que ouvíamos constantemente

Quando lá chegámos às 16h30 vimos uma mancha amarela e preta (as cores das T-shirts da corrida) e percebemos logo que estávamos no sítio certo. Entre mochilas com suporte de água, relógios com medidor de frequência cardíaca e fitas refletoras, alguns dos participantes tinham lanternas e isso chamou-me a atenção.

Juntando um mais um: a Mãe d’Água é o depósito que recolhe as águas provenientes do aqueduto das Águas Livres e as lanternas servem para iluminar. Bem, parece que vamos andar por túneis que foram construídos entre 1745 e 1834. Medo, muito medo. Quando a organização do evento surgiu com capacetes, foi a confirmação.

Segundo Sónia Fernandes, nunca antes tinha sido feito algo assim e devido a motivos de segurança, por serem túneis antigos, não foi fácil conseguir o sim. “Tínhamos de garantir todas as normas para que tudo corresse bem e estamos muito contentes por termos conseguido”, diz.

Tinha imaginado vários cenários, mas nunca correr em corredores com um metro de largura. Como não recuso um bom desafio, lá coloquei o capacete e a GoPro para que não restassem dúvidas de que fiz aqueles dois quilómetros no escuro.

Entrámos, descemos umas longas escadas e, aos poucos, lá começámos a correr. “Cuidado com as poças”, “baixem-se” ou “atenção ao lancil” foram algumas das frases que ouvíamos constantemente. Durante o percurso era engraçado perceber que estávamos a passar algumas das zonas centrais da capital, como o Rato, já que os túneis tinham as ruas descritas nas paredes. Entre curvas e contra-curvas, vimos finalmente a luz ao fundo do túnel, literalmente, e quando me apercebi onde estava não queria acreditar: o Miradouro de São Pedro de Alcântara, no Príncipe Real.

Conclusão: foi a melhor experiência de corrida que já tive. A emoção de fazer algo novo e nunca antes feito por nenhum outro grupo, de me aventurar no desconhecido e de não ter medo do resultado foi incrível. Além disso, ainda servimos de diversão para os vários turistas que estavam por lá.

O regresso ao Reservatório Mãe d’Água foi feito pela calçada portuguesa, isto é, à luz do dia. Sinceramente, só queria voltar para os túneis, mas não era possível porque vinham outros grupos atrás de nós. Ainda assim, foi engraçado fazer os restantes dois quilómetros por cima e perceber as ruas por onde passei sem dar por isso. Demorámos cerca de 30 minutos.

Já há data para o próximo evento? Nós queremos, definitivamente, repetir a experiência.

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